Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

"Dois anos sem ganhar preocupa-nos"

 

 Director para basquetebol do Petro de luanda , Benjamim romano

 

O Petro de Luanda é uma colectividade com grande tradição no basquetebol. Nesse momento, passa por um período de menor fulgor. O que se lhe oferece dizer sobre a real a situação do clube?
Neste momento, estamos a fazer um trabalho de reestruturação dentro do nosso clube, principalmente, na equipa principal de basquetebol, devido à saída de algumas atletas preponderantes. Temos uma equipa técnica nova, cujo trabalho se circunscreve na inserção de novos hábitos. Estamos a montar uma equipa nova e competitiva. Posso afirmar que a avaliação do trabalho em curso é positiva, em função do plano de preparação, pois ainda não começamos a competir.

Qual é o objectivo ou a obrigação para a presente época?
O nosso grande objectivo, neste campeonato, é competir, embora o Petro de Luanda seja uma equipa do topo. Mais isso não significa que tem de ganhar sempre. A verdade é que vamos ser bastante competitivos. Primeiro, queremos competir e depois fazer uma avaliação. Se for possível ganhar, vamos ganhar. Um dos objectivos é fazer evoluir os jogadores em termos individuais e criar um bom colectivo. É natural que o treinador ainda não conheça muito bem as outras equipas, mas queremos fazer uma boa época nas frentes em que estivermos envolvidos como o Campeonato Provincial, a Taça de Angola e o Campeonato Nacional. Se lá chegarmos, queremos obviamente ganhar.

O Petro de Luanda não ganha o Campeonato Nacional há dois anos consecutivos. Que estratégia se está a gizar para contrapor essa situação?
O que vamos fazer é trabalhar e ir à luta, ou seja, competir e tentar conquistar o Campeonato. Aliás, esta foi uma das coisas que nos levou a fazer a reestruturação. Vamos trabalhar forte para alcançar esse desiderato.

A direcção do clube não sente a pressão dos adeptos?
Os adeptos têm todo o direito de reclamar, pois ninguém gosta de ver a sua equipa a perder e depois ver alguns dos jogadores a sair. É normal que haja inquietação, pois muitos pensam ser meio difícil fazer aquilo que estamos a fazer. É preciso acreditar em nós mesmos. É verdade que dois anos sem ganhar também já nos preocupa, por isso, estamos a fazer estas mudanças. É hora de dar oportunidade aos outros para que também possam fazer alguma coisa em prol do clube.

O Petro de Luanda vai lutar pelo título na presente época?
Vamos preparar a nossa equipa de formas a torná-la mais competitiva e - quem sabe? - depois, ganhar títulos. O mais importante é tornar a equipa mais competitiva, mas isso não significa que vamos vencer o Campeonato. Vamos competir. O Petro de Luanda continua a lutar, a nossa equipa ainda não atingiu os grandes níveis. Quando falo em trabalhar de forma antecipada, é no sentido de nos anteciparmos à época. Temos, ainda, de nos organizar internamente e já estamos a trabalhar.

Sente medo de fracassar?
Não. Estamos numa fase de mudanças, pois há dois anos que não ganhámos, logo, tem de compreender que temos de fazer alguma coisa. É isso que estamos a fazer. Quando entramos para um desafio, temos a consciência de poder ganhar e perder, mas isso não pode servir de frustração. É um elemento que faz parte do jogo. Temos de continuar e ter a força necessária de lutar para levar de vencida esse desafio. Por isso, é que vamos entrar neste Campeonato para competir.
Deduz-se, das suas palavras, que não vão lutar pelo título na presente época…
Não é isso. O que estou a dizer é que vamos entrar no Campeonato para competir. Mudamos a equipa em quase 60 por cento e fica difícil dizer que vamos ganhar. Não vamos abdicar da luta, estamos prontos para competir. Na altura certa, vamos fazer a nossa avaliação e saber se podemos conquistar o título. É necessário, também, respeitar o trabalho que está a ser feita nas outras equipas.
 
Esse é o pensamento da direcção e da equipa técnica?
Quer a direcção do clube, quer a equipa técnica e os jogadores estão todos imbuídos nesse pensamento. Estivemos reunidos e o que ficou assente é que tudo faremos para ter uma equipa bastante competitiva. São poucas as coisas que fizemos e já podemos verificar que estamos no caminho certo. Tenho a certeza de que estamos a fazer o que é certo.

Não sente alguma pressão em ter de vencer o título?
Todos os dias, temos pressão, seja ela qual for. Posso dizer que é um desafio. Peca por se fazer uma mudança radical, porque é o 1º de Agosto que está em melhores condições nesta altura. Não obstante isso, ainda temos muito de lutar, porque o Petro de Luanda tem condições para tal. 

"Milton Barros é atleta
do Petro de Luanda"



O que levou o Petro de Luanda a não renovar o contrato com Carlos Morais?
O Petro de Luanda e o Carlos Morais não chegaram a acordo. O atleta foi para um lado e o clube para outro. Não vejo qualquer motivo para tanta agitação e fazerem pensar que o Petro de Luanda nunca quis ficar com o atleta. O problema é que o jogador apresentou uma proposta e o clube, outra. A partir do momento que não há entendimento entre as duas partes o atleta é livre de procurar um outro clube. Não é por sair um atleta que o clube vai morrer. O clube continua com os jogadores à nossa disposição.

Quais foram as condições exigidas pelo atleta?
Não estou autorizado, nem habilitado para falar sobre isso.

Faltou ao Petro de Luanda algum argumento que convencesse o atleta?
Na verdade, o Petro de Luanda sempre teve a intenção de ter o Carlos Morais dentro das suas fileiras. A verdade é que não se chegou a um acordo. O atleta mostrou-se indisponível em permanecer e não vamos ficar refém do atleta. Devemos ter a coragem de aceitar isso, porque os atletas se produzem. Temos de apostar na formação dos nossos atletas. Imagina se dependêssemos apenas de dois atletas! O basquetebol estaria parado no Petro de Luanda. Desde o momento que um atleta se mostra indisponível em continuar na nossa agremiação, temos de ter a capacidade de o substituir. E pode até não surtir os resultados desejados, mas o clube não pode parar.

INDISCIPLINA DO
MILTON BARROS


O que aconteceu com Milton Barros?
O Milton Barros foi dispensado da equipa de trabalho pelo treinador principal, por questões disciplinares. Essa foi a informação que nos foi dada pelo treinador principal. É imperioso dizer que o Milton foi dispensado da equipa, mas continua a fazer parte do Petro de Luanda, uma vez ter contrato válido até o mês de Dezembro. Que fica bem assente: Milton Barros ainda é atleta do Petro de Luanda; apenas está dispensado da equipa de trabalho.

Algum clube manifestou o interesse em contratar o jogador?
Não. Nenhum clube se mostrou disponível em conversar com o Petro de Luanda em relação ao Milton. Caso apareça a jogar em qualquer clube estará a actuar de forma ilegal.

Que tipo de indisciplina cometeu Milton Barros?
Apenas sabemos o que informou o treinador: por motivos de indisciplina não contava com o atleta.

Está magoado com um dos atletas mencionados?
Claro. Eram atletas com que contávamos para a presente época. Com as suas saídas atrapalharam o nosso projecto. Criámos uma equipa que seria a consolidação do nosso projecto. Contudo, o clube não depende desses atletas. Vamos continuar a trabalhar para concretizar o nosso projecto que visa na contrução de uma equipa bastante competitiva.

Há informações que dão conta de Milton Barros estar de malas aviadas para o Recreativo do libolo…
Não sabemos nada. Qualquer iniciativa de algum clube em tê-lo, naturalmente, vai ter de negociar com o Petro de Luanda, porque ainda é jogador da  nossa agremiação.

Como está a situação de Eduardo Mingas?
Não temos qualquer situação com o Mingas. O Eduardo tem contrato com o Petro de Luanda e vai cumpri-lo na íntegra.


"A qualidade das equipas não se faz com nomes"

Algumas correntes apontam o Petro de Luanda como a terceira força do basquetebol angolano, atrás do Recreativo de Libolo. Que comentário se lhe oferece fazer?
Não concordo. As qualidades das equipas não se fazem com nomes. O Petro de Luanda é uma equipa do topo e não por ter aquele ou esse jogador, mas sim pelos resultados que tem feito. As equipas não se fazem com nomes, mas sim com resultados.

Com as saídas de jogadores preponderantes como Carlos Morais e Milton Barros, de alguma maneira, ficam fragilizados na presente época?
Não. Os dois são bons jogadores, mas o Petro de Luanda não depende somente desses dois atletas. Eles são bons, mas não estão aqui. E é com os que estão aqui que vamos trabalhar.

Quanto à conquista do título, fica mais difícil sem esses jogadores?
De maneira nenhuma. Temos bons jogadores capazes de levar o nosso projecto avante.

Há alguma intenção de ir ao mercado estrangeiro para colmatar a saída de alguns jogadores preponderantes?
Isso depende da equipa técnica. Se acharem que há necessidade de se contratar mais jogadores, vamos estudar a situação.
O Petro de Luanda é um clube que faz surgir atletas de destaque nos escalões de formação, que depois optam por outras agremiações.
Para quando a política de integração dos principais valores no vosso clube?
É uma das nossas políticas depender somente dos nossos formandos. Muitos atletas são formados no Petro de Luanda, mas vão para outros clubes. Queremos mudar isso. Num futuro próximo, vamos inverter essa situação. Aliás, basta ver na nossa equipa de seniores, já temos alguns atletas que saíram da equipa de júnior. É desta maneira que queremos trabalhar, pois com a actual crise, o lema “gastar menos” é o mais ideal.

Está arrependido de ter aceitado o convite para “conduzir” a direcção de basquetebol do Petro de Luanda?
Sendo homem de basquetebol e pertencente ao clube, não. Por outro lado, sinto que há muita coisa a dar ao basquetebol do Petro de Luanda. Vejo ainda que o basquetebol angolano precisa de jovens para dar outra dinâmica à modalidade. É necessário apostar em pessoas que conhecem as vicissitudes do basquetebol. É um bom desafio, gosto de novas aventuras e estou disposto a levá-lo até ao fim.

Que avaliação faz do actual momento do basquetebol angolano com a entrada de treinadores portugueses?
É preciso ter a coragem e olhar para aquilo que foi feito. Os treinadores portugueses deram qualidade ao nosso basquetebol. Basta olhar atrás: tivemos o professor Mário Palma que conquistou vários títulos. Luís Magalhães venceu o último Afrobasket com a selecção de Angola. Muitos dos nossos melhores jogadores actuavam no campeonato português.

Qual é a estratégia para ter novamente o Petro de Luanda na ribalta?
O mesmo que tenho dito até agora. A nossa estratégia é entrar nessa época para competir e depois definirmos se vamos lutar pelo título. Repito: estamos em mudança, temos jogadores e treinador novos e vamos continuar a trabalhar para atingir os nossos objectivos.
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Queremos ganhar tudo o que estiver pela frente

 

 Treinador principal basquetebol  do Interclube

 

O que diz sobre as condições oferecidas pelo Interclube?
Penso que são as melhores. Em termos de infra-estrutura há um pavilhão extraordinário, com um piso em que os jogadores podem treinar à vontade. Mas podemos as melhorar. Vamos todos trabalhar para que este clube seja  campeão em termos de jogo, de organização e de infra-estruturas.

Que objectivos tem para a pressente temporada?
O meu objectivo é tornar o basquetebol do Interclube mais sustentável, contribuir para que haja mais jogadores a praticar a modalidade em Angola e para a formação de treinadores. Em termos profissionais, queremos ganhar tudo o que estiver pela frente.

Que mudanças efectuar para que o objectivo seja cumprido? 
Nunca se consegue chegar e fazer logo mudanças. A única coisa que fizemos, foi apresentar quatro projectos que são o centro de formação de treinadores, cuja a primeira acção vai se realizar este mês e estará aberto à todos os treinadores de basquetebol do país. Outro é a reestruturação do modelo de funcionamento do departamento a três sub-coordenações; uma outra tem a ver com a iniciação e a captação de atletas para o mini-basquetebol e a quarta tem a ver com os iniciados.
Agora, estamos a trabalhar no diagnóstico das carências e dificuldades para depois propormos à direcção para que as mesmas sejam atenuadas. 

Como descreve o início da época para a equipa que dirige?
O inicio foi incrível. É incrível como uma instituição como esta, chegou ao estado a que chegou! A gestão dos clubes deve ser acompanhada, responsabilizada e inspeccionada. Para o bem dos jovens e do basquetebol, por muita gente que contribuiu para este clube, que deram parte da sua vida, e pelos valores que me transmitiram, iniciamos a época.
Como é evidente, cheios de dificuldades em construir o plantel, em pôr a formação a funcionar (graças aos treinadores) que por muitas críticas que lhes façam da forma mais injusta, só posso estar grato e solidário.

Que perspectivas tem em termos desportivos?
A  nossa perspectiva era bem escura, mas com uma vontade do tamanho do mundo e com o grupo possível que se predispôs a avançar por amor ao clube e à modalidade, decidimos avançar em termos desportivos de jogo a jogo, discuti-los, tentando dar o nosso melhor. Tendo consciência das dificuldades reais na formação do plantel, sabemos que este não é um qualquer grupo. São verdadeiros atletas, com potencial e qualidade, capazes dos maiores sacrifícios e exemplos.
Iremos até onde nos for possível, com o apoio de todos, até com aquela maravilhosa claque que nos acompanha. Pode ser que sem grandes investimentos venha a ser possível devolver ao Iinterclube, no mínimo, o lugar que merece.

Que avaliação faz do nível competitivo do campeonato nacional de honras?
Acho que o campeonato é muito competitivo e de muita qualidade, facto que acredito poder ajudar muito na nossa maneira de ver as coisas. Já as infra-estruturas, ajudarão a dotar as nossa equipas de maior qualidade.

De modo geral, qual é a sua opinião sobre o basquetebol nacional? Está em progressão ou em retrocesso?
Está em progressão, pois há jogadores com grande qualidade.
O basquetebol angolano está muito elevado de uma maneira geral, em relação ao português. É muito mais atlético e agressivo, explosivos e, naturalmente, jogam de acordo com estas características. É isso que faz a diferença, pois tornam mais agressivos e explosivos nos desenvolvimento das suas particularidades quer ofensivas quer defensivas. Há aqui boa matéria-prima.

"O meu projecto a medio prazo
visa a conquista do campeonato"


O que o levou a aceitar o convite para treinar o Interclube?
Na realidade, o que me motivou a vir a Angola foi o projecto que me foi apresentado pelo director de basquetebol do Interclube. Tenho um projecto de médio prazo, que visa a conquista do campeonato nacional. Este desafio é aliciante e, por isso, concordei em vir a Angola. Outro motivo foi o intusiasmo com que os dirigentes do Interclube me apresentaram o projectos e mostraram-se confiantes naquilo que eles querem para o clube.

A ideia de trabalhar em Angola passou-lhe algum dia pela cabeça?
Nunca me passou pela cabeça trabalhar em Angola. Gosto de trabalhar em cilclos de quatro anos. No momento em que fui abordado pela direcção do Interclube, tinha terminado um ciclo com um clube e então decidi entrar noutro projecto, no caso o do Interclube.

Conchecia a realidade do basquetebol angolano?
Acompanho o basquetebol no geral. Li algumas vezes sobre o basquetebol angolano. Em Portugal, treinei algumas equipas em que haviam atletas angolanos e foram me dizendo como eram o basquetebol daqui.

As informações que obteve correspondem à realidade?
Encaro de um modo positivo a nivel dos jogos, dos jogadores e, por isso, Angola é deca-campeã africana e estão em quase todas as competições internacionais como Jogos Olímpicos e Mundias.

Como caracteriza o basquetebol angolano?
É  é muito rápido. De maneira geral, a defesa está num nível elevado e o ataque está menos evoluído. O pouco tempo que estou aqui, vi muitos treinos dos escalões de formação e parece-me que este é um problema que vem logo do início. Para superar esta questão, vai ser necessário investir mais nos fundamentos do ataque para equilibrar o jogo. Posso dizer que nesta altura a defesa ganha o ataque.

"Há falta de quadros técnicos em Angola"

Como vê a vinda, cada vez mais acentuada, de jogadores e treinadores estrangeiros ao campeonato angolano?
Hoje, o mundo globalizado e Angolano não podia ficar à leste desta situação. Não basta encarar depreciativamente esta situação. Já fui emigrante e, ao contrário de Portugal, onde há uns anos se podia chegar a ter até 8 jogadores não portugueses em campo, em Angola isso não sucede, podendo-se jogar apenas com dois estrangeiros.
O que há em falta em Angola são quadros técnicos e, para isso, tem de haver formação, coisa que ainda se está a dar os primeiros passos. Falta uma escola nacional de basquetebol, onde possam se explorar todas as potencialidades da massa humana existente em Angola.

Quais são as diferenças entre o campeonato angolano e o campeonato português?
Trata-se de dois campeonatos completamente diferentes, pois também se tratam de culturas diferentes. No basquetebol português, assim como no europeu, os colectivos evidenciam-se, ao contrário do angolano onde a técnica individual vem ao de cima.

Quais são as perspectivas futuras do Interclube?
Acredito que, como as coisas estão a ser feitas, o Interclube, nos próximos anos, vá lutar pelo título ou mesmo ganhar um. A nível individual, todos os treinadores sonham em chegar à seleccionador nacional e eu não sou diferente deles.

Perfil
Nome: João  Carlos Pereira Guedes de Oliveira
Nacionalidade: Portuguesa
Data de nascimento: 20- 09-1967
Estado civil: Casado
Altura:1.80 metro
Peso:82
Desporto favorito: Basquetebol
Prato preferido: Linguas estufadas
Bebida: Água
Cor: Azul
Relegião: Catolica
Clubes onde passou
UAAA, Oliverense
Academica
Maya basket
Vasco da Gama
Desportivo da Polva
Selecção Portuguesa
de Sub-16
Formação académica
Licenciatura  em Educação Física
Mestrado em Ciência do Desporto
Doutoramento em Psicologia das Organizações
publicado por CASSUPITA às 11:38
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Abrua 10 anos de existência

 

  Fernando Cardoso

PRESIDENTE DA ABRUA (ASSOCIAÇÃO DE BASQUETEBOL DE RUA)

 

Que avaliação faz dos dez anos de existências da Abrua?
Durante estes anos, conseguimos concretizar os ideais traçados relativamente ao tratamento e encaminhamento dos jovens na sociedade através da vertente desportiva, tirá-los, em número considerável, de situações menos aconselháveis, como por exemplo, a delinquência. Dá-nos um certo orgulho saber que ajudámos muitos jovens. A avaliação é bastante positiva.

Qual é o número de pessoas envolvidas nos vossos programas?
Mais de dois mil jovens praticaram basquetebol durante os dez anos de existência de torneios promovidos pela Associação de Basquetebol de Rua (Abrua), no âmbito da massificação da modalidade, nos distintos municípios da cidade de Luanda. Podemos citar os campeonatos provinciais e nacionais, os torneios Março Mulher, 14 de Abril, Taça 28 de Agosto, 11 de Novembro, Fim-de-Ano, entre outros certames.

Com o basquetebol conseguiram ajudar a sociedade?
O basquetebol de rua beneficia no comportamento dos jovens, ocupando os seus tempos livres e desviando-nos da prática de actos criminosos ou do consumo de drogas. Realizámos vários campeonatos com o apoio de algumas empresas, por exemplo, o campeonato nacional, em 2002, no qual estiveram presentes 17 das 18 províncias, o que mostra o grau de importância de basquetebol de rua na vida de vários jovens do país. Encaminhámos muitos jovens para as equipas do 1º de Agosto e Petro de Luanda, só para citar essas, nas quais brilham.

A dimensão da Abrua não é a mesma nos dias correntes. O que está na base da pouca visibilidade da vossa associação?
A nossa associação está a meio gás, porque temos grandes dificuldades em realizar jogos por falta de campos. 

O que aconteceu às quadras de jogos?
Alguns campos como o da Tchechénia, do Morro Bento, dos Bombeiros, no Cazenga, deixaram de existir e, como consequência, a propagação do basquetebol de rua também diminuiu. Neste momento, estamos a realizar um torneio, embora não tenha tanta dimensão comparativamente aos torneios anteriores. Continuamos a trabalhar para ocupar os tempos livres dos jovens. A prática do basquetebol de rua ajuda-os a despertar o interesse pelo desporto e a prepará-los para uma possível integração em grandes clubes do país.

O Governo da Província de Luanda está a construir quadras novas. Por que não as aproveitam para a realização das vossas actividades?
Há um grande interesse das autoridades da província de Luanda em proporcionar aos seus habitantes lugares de lazer. No entanto, vários campos de basquetebol estão a ser construídos e, nós, ABRUA, vamos aproveitá-los para revitalizar as nossas actividades. Neste momento, estamos a fazer um ensaio, com o apoio da Red Cola, para realizarmos um torneio enquadrado no programa de divulgação da nossa instituição.

Houve algum contacto com o Governo da província para a utilização, a tempo inteiro, das quadras?
Num encontro com as associações, a governadora Francisco do Espírito Santos havia disponibilizado as quadras. Ou seja, estão a cargo das Administrações Municipais, mas sob responsabilidade desportiva da Abrua. Estamos cientes das nossas responsabilidades e vamos fazer o que nos compete.

 Quando prevêem realizar os campeonatos de basquetebol de rua no presente ano?
As quadras já são um grande passo, mas faltam-nos algumas coisas, principalmente, na vertente dos apoios, como equipamento. O atleta da Abrua não ganha muita coisa. O principal ganho é a convivência e os equipamentos. Sou a favor da atribuição de estímulos materiais, no mínimo, como troféus. Para que se realize um bom campeonato, precisamos de bolas, entre outras coisas inerentes à prática de basquetebol.

 Têm patrocinadores?
Nesse momento, temos a Red Cola. Queremos apoios de outras instituições e pessoas singulares para resgatarmos a nossa imagem do passado recente e incutirmos nas novas gerações de jovens o hábito da prática de desporto.

Quantos jovens saídos do vosso projecto estão agora no basquetebol federado?
Temos muitos jovens saídos do basquetebol de rua que hoje militam no campeonato nacional. É difícil apresentar um número exacto, mas o expoente máximo do basquetebol de rua é o Olímpio Cipriano. Ele jogou no Núcleo dos Coqueiros. Temos ainda o Swing e o Edmundo Ventura. Ao longo dos dez anos de existência da Abrua, formámos muitos jogadores. A nossa missão é fomentar o basquetebol e dar oportunidade aos jovens. Felizmente, muitos conseguiram singrar no basquetebol, outros em diferentes ramos da sociedade.

Associação tem 70
núcleos em Luanda

Como está o projecto de construção da Escola de Basquetebol para Crianças Pobres?
FC – O projecto está vocacionado, principalmente, para as crianças que vivem em orfanatos. O nosso objectivo é incentivar os petizes que se encontram nas ruas de Luanda a regressarem aos lares e ensiná-los o ABC da modalidade, bem como formação profissional para que tenham uma ocupação.

Para quando a sua efectivação?
O protocolo com a FESA já está rubricado. Agora, vamos esperar que a construção da mesma se concretize.

Quais são as razões do atraso da sua construção?
Tivemos um encontro com o director-geral da FESA, no qual acordámos marcar um novo encontro para acertarmos detalhes do convénio rubricado.

O tempo de paralisação da Abrua não terá contribuído negativamente na propagação do basquetebol?
Para quem levou o bichinho da “bola ao cesto” a pessoas que não gostavam de basquetebol, o interregno não foi bom. Somos uma organização da comunidade, logo, devemos continuar a trabalhar para o seu engrandecimento.

Neste momento, quantos núcleos de basquetebol de rua controlam?
A nível de Luanda, temos cerca de 70 núcleos. É um pouco difícil determinar o número nas outras províncias, pois têm grandes dificuldades, à semelhança de Luanda. Tenho a certeza de que, brevemente, a situação vai ser outra.

Que comparação se pode fazer em relação à Abrua de há nove anos atrás?
Há muita diferença. Naquele tempo, a Abrua controlava 100 a 150 núcleos, só em Luanda. Actualmente, estamos a rondar 70 núcleos. Isso pressupõe que perdemos muitos jovens praticantes em Luanda.

Que se lhe oferece dizer sobre o projecto com a FESA?
O projecto com a FESA visa o desenvolvimento de basquetebol de rua em todos os bairros da capital, numa primeira fase, e, posteriormente, estendê-lo às províncias que, por tradição, praticam a modalidade, bem como incentivar aquelas que não o têm. Queremos ajudar com algum material, designadamente, tabelas, bolas, cronómetros e equipamentos para os atletas das províncias do Huambo, Namibe e Huíla. Possivelmente, a província de Cunene também beneficie nos próximos tempos.

E como está o protocolo com o Instituto de Cooperação Francesa?
Muito pouco tenho a dizer sobre isso, pois o representante da mesma já não está no país. Na verdade, no acto da assinatura do protocolo, estiveram presentes várias associações e quem deve dizer alguma coisa é o Ministério da Juventude e Desportos.

E quanto à parceria com o INAC?
Tivemos um encontro com a senhora Eufrazina Maiato, em que se abordou a elaboração de um projecto vocacionado às crianças pobres que vivem em orfanatos, cujo objecto social é incentivar as crianças para a prática do basquetebol, bem como encaminhar os petizes que se encontram nas ruas de Luanda a irem para os lares. Passámos por esses lares e distribuímos equipamentos desportivos para a prática do basquetebol. Vamos voltar a esses orfanatos e saber como estão os petizes.

O ano corrente é o de relançamento da Abrua?
Sim. Estamos a preparar um grande torneio de fim-de-ano para dar as boas-vindas ao CAN’2010. Esperamos que, com a realização desse torneio, possamos também marcar o nosso regresso à realização de grandes actividades. Acredito que os bons dias para o basquetebol de rua voltarão.

Como está o relacionamento com a Federação Angolana de Basquetebol (FAB)?
O fomento de basquetebol na rua é especificidade da Abrua, enquanto a FAB massifica e organiza, entre outras coisas. A FAB deve apoiar a Abrua, criando uma rubrica de apoio ao basquetebol de rua.

Por que razão não há uma estreita relação entre as duas instituições?
Existe um vice-presidente para a área comunitária na FAB, mas, infelizmente, nunca fomos notificados. Felizmente, temos bom relacionamento com a Associação Provincial de Basquetebol de Luanda, que sempre mostrou interesse em trabalhar connosco.

 

publicado por CASSUPITA às 11:35
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Quarta-feira, 9 de Junho de 2010

“Se não houver 1º de AGOSTO forte não haverá Interclube forte

 

 

  

SÍLVIO LEMOS, DO 1º DE AGOSTO

“Se não houver

1º de Agosto forte

não haverá

Interclube forte”

 

O director para o basquetebol do 1º de Agosto, Sílvio Lemos, promete extinguir a equipa sénior feminina, se o Interclube não cumprir com o acordo feito entre as duas vice-presidências. Em entrevista exclusiva a esse Jornal, Sílvio afirma que não é intenção do clube extinguir a equipa, mas se não houver recursos que sustentam o equilíbrio competitivo com o Interclube não há outra alternativa. O director aponta também a conquista do ceptro do BAI BASKET em masculino como objectivo primário e apela à Federação Angolana de Basquetebol a ter cuidado nas escolhas das equipas de arbitragem, porque se “está a premiar más arbitragens”. Por outro lado, o dirigente revela as razões que levaram a direcção a preterir dos préstimos do Ângelo Vitoriano.

 

Textos: Valódia Kambata

 

Qual é a realidade da equipa sénior feminina de basquetebol do 1º de Agosto?

Nesse momento, a equipa sénior feminina não está a atravessar um bom período, face à pouca preparação e comparência das atletas nos treinos em função dos afazeres diários. O basquetebol feminino não é profissional no clube, não tem estatuto do masculino. Foi muito complicado geri-la, o que teve implicância na não conquista do ceptro do campeonato nacional e da Taça de Angola. Estamos com dificuldades em criar um grupo que nos dê garantia competitiva.

Confirma a perda de atletas para o Interclube?

Nas duas últimas épocas, a equipa perdeu cinco atletas fundamentais e isso mexe com a estrutura de qualquer clube. Estamos a equacionar as várias situações para dar corpo a uma equipa competitiva e as atletas à disposição representam tão-somente o esqueleto principal. Se eventualmente saírem mais outras, será extremamente difícil manter o basquetebol feminino. Não existem atletas no mercado nacional que possam ser contratadas para resgatar tudo que perdemos na época transacta e mantermos os objectivos intactos.

A extinção da equipa sénior feminina de basquetebol é uma decisão da direcção do clube 1º de Agosto ou uma intenção da direcção de basquetebol?

Por respeito a jogadores, que ainda se mantém no clube, aconselha-se mantê-la na continuidade. A verdade é que no seio da direcção do clube há preocupação se não tiver uma equipa competitiva.

Face à rotura criada, pensam contratar atletas de outros clubes?

O mercado de atletas do basquetebol é muito pobre. O clube não dispõe de recursos financeiros para recorrer a outros mercados. Estamos a fazer esforços no sentido de criar uma equipa competitiva e que possa lutar em igual circunstâncias com outras como o Interclube, bem como rivalizar nas competições internacionais, tendo em conta o nome do clube granjeado no continente. O caso está entregue à direcção do clube e quando tomar a decisão, da-la-emos a conhecer publicamente. O clube está a fazer tudo para manter o basquetebol sénior feminino, pois a nossa agremiação absorve também responsabilidade social.

A concretizar a extinção, o basquetebol feminino nacional corre sérios riscos no processo de desenvolvimento…

Não seria bom para o basquetebol nacional se o 1º de Agosto deixasse de competir a nível internacional; sempre foi o principal fornecedor de atletas à Selecção Nacional. Vamos fazer um grande esforço, mas tem de ser acompanhado pelos órgãos que regulam a modalidade no país e com o objectivo de criar um basquetebol feminino forte. Refiro-me a forte, porque queremos a adesão de muitas pessoas. Vamos continuar a lutar para que tenhamos boa equipa.

Contactaram a Federação Angolana de Basquetebol (FAB) face a transferências?

Pessoalmente, já abordei a questão com o secretário-geral da FAB (Tony Sofrimento) e com a direcção da Associação Provincial de Basquetebol de Luanda. Fui informado que o Interclube ainda não notificou a Associação Provincial de basquetebol de Luanda nem a Federação Angolana de Basquetebol para a inscrição das atletas. Quando as inscrições darem entradas a essas instituições, o Interclube tem de dizer alguma coisa. As atletas disseram-nos que já não fazem parte da equipa do 1º de Agosto e estão a treinar no Interclube. Vamos aguardar e depois o clube tomará as decisões pertinentes.

A direcção do Interclube manteve algum contacto com o 1º de Agosto?

Essa preocupação foi apresentada numa reunião entre os vice-presidentes dos dois clubes no sentido de se criar equilíbrio dentro do basquetebol sénior feminino. No entanto, ainda não sentimos nada da parte dos responsáveis do Interclube na efectivação do acordado. A verdade é que se não houver um 1º de Agosto forte não haverá um Interclube forte. A nossa competição já é pobre em função do número reduzido de equipas e se existir desequilíbrio entre o Interclube e o 1º de Agosto, vai perder gosto. Se nos tirarem as melhores atletas, não teremos disposição para competir na alta-roda do basquetebol sénior feminino. Cabe às pessoas de direito tomarem as decisões coerentes que proteja o basquetebol feminino.

Há falta de interesse da Federação Angolana para com o basquetebol feminino?

Tudo quanto sei é que há interesse da federação em dar outra imagem ao basquetebol feminino. Mesmo que haja intenção da Federação, os principais impulsionadores dessas mudanças são os clubes, portadores dos escalões de formação e de treinadores com qualidades elevadas para formar os atletas. Às vezes, a Federação pode ter boa vontade, mas se não tiverem o acompanhamento dos associados muito pouco pode fazer.

Como homem ligado ao basquetebol há muito tempo, como caracteriza o basquetebol feminino?

 Desde os últimos cinco anos, o basquetebol feminino está a perder qualidade, fruto de pouco interesse dos próprios clubes. Das 12 equipas que estão a disputar o campeonato nacional de basquetebol masculino apenas duas têm equipas femininas, o Interclube e o 1º de Agosto. Isso mostra o desinteresse dos clubes quanto ao basquetebol feminino. Para mudar o actual quadro, a Federação deve regulamentar que os clubes grandes tenham obrigatoriamente basquetebol feminino. Só assim pode haver mais competição em função do número de equipas e despontar mais talentos.

Como estão os escalões de formação dos femininos?  

Se existe um clube, no qual se respeita a formação em ambos os sexos, é o clube 1º de Agosto. Estamos representados em todos os escalões desde os mini-basket até ao escalão sénior. Fazemo-lo, porque sentimos que temos responsabilidades na sociedade. Temos seis atletas preparadas para entrar na equipa principal este ano, caso tudo esteja resolvido.

 

 

 “Vamos conquistar

o BAI BASKET’2010”

 

A equipa masculina do 1º de Agosto está velha?

Isso depende do ponto de vista de cada um. A equipa ainda está dentro dos padrões. Aliás, há uma miscelânea de atletas novos e mais velhos; estamos a fazer as transições lentamente, pois não podia ser de forma brusca, o que quebraria um pouco daquilo que é o 1º de Agosto. Actualmente, temos uma equipa com muita qualidade; com atletas que já deram muita alegria ao nosso basquetebol, quer nos clubes como na selecção. Não é bom ouvir o que algumas pessoas falam nas rádios. Afirmar que o Kikas, Lutonda e o Carlos Almeida não têm mais frescura física não corresponde à verdade. Deveríamos respeitá-los, pois estamos a falar de campeões africanos; de pessoas que sempre representaram o país em diferentes competições internacionais. São profissionais competentes que merecem respeito e muita consideração na sociedade angolana, quando nos referimos a eles.

Já existe algum projecto que gostaria de levar a cabo na próxima época?

Primeiro, vamos terminar a presente época e só depois vamos apresentar os nossos projectos. Por enquanto, estamos virados apenas à conquista do campeonato nacional.

Por onde passa o futuro do treinador Luís Magalhães?

Temos intenções de renovar o contracto com o treinador Luís Magalhães, mas é necessário haver interesse das duas partes. Já mostrámos o nosso interesse e o professor também. Acreditamos que brevemente tudo estará resolvido. É um treinador que deu mostra de muita qualidade e profissionalismo e é de todo o interesse do clube em renovar o contrato com Luís Magalhães.

Para a próxima época, vão ao mercado estrangeiro contratar jogadores preponderantes?

Ainda é muito cedo para se falar disso.

Para quando a ascensão dos principais valores dos escalões de formação do clube que esperam concretizar o sonho?

Há cinco anos que o 1º de Agosto tem um grupo de atletas de muita qualidade. Para entrar na equipa principal do 1º de Agosto, o atleta tem de ter muita qualidade, pois não é fácil substituir atletas como Kikas, Lutonda, Carlos Almeida, entre outros. O que acontece é que no final da formação do atleta, os responsáveis técnicos fazem uma avaliação, se o atleta pode fazer parte do clube futuramente. Se forem aprovados, são emprestados a outros clubes a fim de rodarem e terem maior competitividade.

Como avalia a prestação da equipa sénior masculina no BAI BASKET?

A situação continua como a direcção prognosticou. Estamos com um grupo de atletas há cinco anos e continuam a dar garantias do cumprimento dos objectivos traçados. Embora tenhamos perdido a Taça de Angola, vamos conquistar o Campeonato Nacional.

Para a próxima época, vão contar com Miguel Lutonda?

Como director para o basquetebol do 1º de Agosto e como amigo e ex-colega, terei muito prazer em vê-lo a jogar por mais dois ou três anos, porque tem capacidade física para muito tempo. É muito orgulho tê-lo na equipa com a idade que tem e ainda ser um atleta competitivo. O pensamento da direcção é que teremos o Miguel Lutonda para mais dois ou três anos a jogar no 1º de Agosto.

Como está a situação de Mayzer Alexandre?

O Mayzer Alexandre foi emprestado ao ASA para uma época para ter mais tempo de jogo e mais rodagem competitiva. No final da presente época, regressa ao clube. Se estiver dentro daquilo que nos propusemos, permanecerá na equipa. Nesse momento, garanto-lhe que Mayzer é atleta do 1º de Agosto emprestado ao ASA.

 

 

Ângelo Vitoriano

está fora da equipa

 

O que aconteceu com o treinador Ângelo Vitoriano?

O treinador Ângelo Vitoriano não compareceu em duas deslocações que a equipa teve. A primeira foi na fase de eliminatória de acesso à Liga dos Campeões Africanos e a segunda a fase final da Liga de Clubes Campeões. Quando regressei, fui informado que o treinador Ângelo Vitoriano já não fazia parte da equipa técnica.

Não houve uma conversa para se apurar os factos?

Para nós, os treinadores são líderes e como tal devem dar exemplos. Foi por esta linha que a direcção do clube preteriu dos préstimos do treinador Ângelo Vitoriano do quadro técnico do clube.

Mas ainda faz parte do clube nesse momento?

Neste momento, o treinador já não faz parte dos quadros do clube.

 

 

 

Cuidados com árbitros

 

Muitos agentes reclamam da arbitragem. Que avaliação faz nesse final de campeonato?

A verdade é que a Federação Angolana através do Conselho de Arbitragem deve ter muita atenção com os árbitros. Nos últimos tempos, sentimos algumas arbitragens péssimas. Apelamos a quem de direito para avaliar o trabalho dos árbitros, assim como os clubes avaliam os atletas e os treinadores.

Isso tem a ver com o jogo da finalíssima em que o Libolo ganhou?

O Recreativo do Libolo ganhou bem e com muito mérito. Mas a verdade é que algumas arbitragens nos têm dificultado. Já mandámos alguns vídeos aos responsáveis da Federação para analisar e perceber o que se passa na arbitragem. Por exemplo, como é que um árbitro (Fernando Pacheco) que foi muito contestado na sexta-feira e no jogo seguinte, no domingo, volta a apitar na partida que envolveu novamente as duas equipas? Parece que estão a premiar as más arbitragens. O nosso apelo vai à Federação para que tenha muito cuidado na escolha das equipas de arbitragens, cujas actuações não ponha em causa a verdade desportiva.

 

publicado por CASSUPITA às 11:29
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Adilson Banza um jovem formado no Petro de Luanda mas que da cartas no 1ºde Agosto

 

 

   O PUTO MARAVILHA DO BASQUETEBOL

 
 
É para muitos o sucessor nato de Miguel Lutonda, por terem ambos as mesmas características. Ele, porém, considera que ainda muito cedo para ser comparado com o maestro dentro das quadras, mas admite que, com mais trabalho tudo é possível. Falamos de Adilson Carlos Micano Baza, a base da equipa sénior de basquetebol do 1.º de Agosto. Nesta conversa o jovem de 24 anos de idade fala da sua carreira e do seu clube o 1ºde Agosto.
Valódia Kambata -texto      
 
 
Conte como surgiu no basquetebol?
Quando tinha 10 anos, fui levado para o Petro de Luanda pelo meu tio, que lá trabalhava, para treinar basquetebol, uma vez que gostava da modalidade. Comecei no escalão de iniciados e passei pelos restantes escalões de formação.
O gosto pelo basquetebol fê-lo treinar a modalidade…
Sempre gostei do basquetebol, pois é modalidade que mais me deixou encantado. Por isso decidi aceitar o convite do meu tio e entrei no Petro de Luanda. O basquetebol é uma modalidade bonita, não só de se praticar mas também de se ver. A modalidade roporciona bons momentos.
Que papel teve a sua família nesse processo até atingir a alta competição?
A minha família sempre me apoiou. Deu-me sempre forças para continuar a jogar o basquetebol e aconselhou-me a não parar de estudar.
O que o levou a mudar para o 1º de Agosto?
Cresci no Petro de Luanda, e quando terminei a época, no escalão de juniores, fui jogar na Universidade Lusíadas, onde estudo. Com o passar do tempo, o treinador do clube que represento actualmente chamou-me para representar as cores do 1º de Agosto a que aceitei e aqui permaneço
Jogar no 1º de Agosto é um sonho que se tornou realidade…
Todo atleta tem o desejo de jogar num clube grande. Logo, estar no 1ºde Agosto é realmente um sonho que se tornou realidade. É muito bom estar aqui no d’agosto.
Até onde ambicionas chegar com o clube?
Até onde conseguir.
Qual é o ponto mais alto da sua carreira até ao momento?
Sou o campeão da África de clubes, pela segunda vez, ou seja, tenho dois títulos de campeão africano em seniores masculinos pelo 1º de Agosto. Penso que este é o ponto mais alto da minha curta carreira.
Qual foi o melhor jogo que fez até aqui?
O melhor jogo da carreira foi em 2004, em Benguela, no campeonato nacional de juniores. Na altura, representava o Petro de Luanda e converti 61 pontos num só jogo, contra o 1º de Agosto. Fui o melhor “cestinha” com 270 pontos e o jogador mais valioso da competição.
 
“Fui convidado a jogar na NCCA”
Ao longo destes dois anos no 1º de Agosto consta que recebeu convites para jogar no estrangeiro?
Sim. Fui convidado para jogar na NCCA, a liga norte americana universitária, na Universidade de New Hamspear, em Bóston.
O que o levou a não ingressar naquela liga?
Alguns pormenores que não estavam bem esclarecidos fizeram com que não fosse para os Estados Unidos da América.
Espera continuar no clube na próxima época?
Só o tempo dirá. Nunca se sabe o que nos reserva o amanhã. O meu maior desejo é continuar a jogar neste clube que muito tem me ajudado a crescer no basquetebol.
Teria de ter um bom motivo para tal. O 1º de Agosto é um clube pelo qual tenho muito respeito.
Que aspirações tem? Sonhas chegar a selecção?
Quero encontrar estabilidade na carreira e, depois, se possível, chegar a um grande clube estrangeiro. Qualquer jogador sonha com a selecção. Infelizmente ainda não tive oportunidade de a representar, mas é uma meta para qualquer atleta.
 
Página 15
 
“O basquetebol ajudou-me
 a melhorar a personalidade”
O basquetebol ajudou no seu desenvolvimento enquanto indivíduo?
Pode crer que sim. Enquanto basquetebolista, muita coisa acontece em grupo. Tiramos sempre os bons exemplos que certamente vão servir para as nossas vidas. O basquetebol ajudou a melhorar a minha personalidade. Por isso estou a terminar a Faculdade de Gestão de Empresas.
Os seus objectivos passam por uma carreira profissional no basquetebol e os estudos vêm em segundo lugar. Estou certo?
Os estudos e o basquetebol sempre vieram em primeiro lugar. Não foi difícil conciliar as duas coisas porque sempre tive bom acompanhamento da minha mãe que, dado o facto de nunca ter reprovado, me deixou jogar basquetebol à vontade e pude então conciliar as duas coisas.
Para muitos atletas de alta competição, torna-se difícil conciliar os estudos com a prática desportiva. Como consegue gerir as duas actividades?
Gerir é bem mais complicada quando não consegues transitar de classe. Como nunca foi o meu caso, tem sido fácil e bastante saudável.
 
“O 1º de Agosto é a minha segunda casa”
O que representa o clube sua vida?
O 1º de Agosto é a minha segunda casa e onde sinto-me bem.  
Como é o ambiente no balneário numa equipa que tem Miguel Lutonda e Carlos Almeida?
É bastante saudável viver e conviver com duas e mais estrelas do nosso basquetebol.
Como vê o surgimento de tantos talentos no nosso basquetebol?
Necessitam de mais acompanhamento, conselhos, iluminação e, por último, investimento em todos os sentidos.
É essa a motivação principal de um atleta mais jovem…
Acredito que sim, porquanto já lá passei e também senti a falta desses itens.
Sempre jogou como base?
Sim. A julgar pela minha altura, não tenho outra opção.
Sou uma pessoa simples, humilde, amigos dos meus amigos e dos que não são também.
Que balanço faz dessa temporada?
Muito boa, face ao trabalho que se tem feito ao longo dela.
 
Adaptação foi fácil
Iniciou a temporada quase como um desconhecido. Foi fácil a adaptação ao grupo?
Foi fácil, pois trabalho com jogadores já experientes como Miguel Lutonda, o Carlos Almeida e o Joaquim Gomes.
Como foi para si ver-se, repentinamente, a treinar e a jogar junto daqueles que até há pouco tempos eram os seus ídolos?
Bastante saudável e muito bom porque com eles aprendemos muita coisa. São pessoas que estão sempre disposto a ajudar. Posso dizer que como eles e eu tenho aprendido muito.
Partiu para esta temporada com o objectivo definido de estar na primeira equipa. E agora, pouco tempo depois, que já se fala em clubes interessados nos seus serviços…
Sim, mas só o tempo dirá. Deixo tudo nas mãos de Deus.
Com reage um jovem aos muitos elogios que tem recebido? Não afecta no seu rendimento?
Com ou sem elogios continuo a trabalhar, pois só com trabalho chegamos ao objectivo.
Quais são suas prioridades daqui para frente?
Melhorar as minhas qualidades e defeitos.
Se pudesse, qual o jogador gostaria de se tornar?
Gostaria de ser um Michael Jordan ou Kevin Garnett.
Qual foi o treinador mais importante para sua carreira até aqui?
Foi o Gerson Bhetel, o Anselmo Monteiro e o meu treinador actual Luís Magalhães.
 
BI
Nome - Adilson Carlos Micano Baza
Data de nascimento - 25 de Abril de 1986
Naturalidade - Luanda
Altura - 1,85
Filiação - Maurício Baza de Julia Pedro Micano
Pratopreferido - Bitoque
Bebida – sumo  
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Quarta-feira, 31 de Março de 2010

Reggie Moore fala de si e do recreativo do Libolo

Como aparece no Recreativo do Libolo?
Foi o Luis Costa quem facilitou a minha transferência para o Recreativo do Libolo, pois jogamos juntos no Belenenses de Portugal, em 2003. Ele soube que a equipa precisava de um atleta  americano, com as minhas características, chamou-me e perguntou se queria jogar pelo clube.

Onde jogava antes de vir para Angola?
Jogava em Espanha, mas a equipa começou a ter problemas financeiros e achei melhor mudar de  clube. Foi daí que decidi vir para o Libolo.

Algum outro clube angolano mostrou-se interessado em contratá-lo?
Que saiba, não. Não sei de outra equipa.

Que motivo o levou a optar por jogar em Angola?
Foram diferentes factores. A minha equipa, em Espanha, estava a ter problemas de dinheiro, queria voltar a ver o meu amigo Luís Costa, aliado ao facto de querer experimentar um novo lugar e uma nova liga.

Conhecia o basquetebol angolano?
Sabia de algumas coisas. Fiz alguns jogos de exibição contra o Petro e contra o 1º Agosto, quando estaviveram em Portugal. Jogava na mesma liga que o Kikas Gomes, na universidade. Ele estava em Valparaiso e eu no Oral Roberts. A par disso, tive a oportunidade de ver a Seleção de Angola nos dois

últimos Jogos Olímpicos.

Agora que aqui está, com que impressão fica?
Esta liga é diferente de qualquer outro campeonato em que joguei. Na Europa, faz-se um jogo por semana e aqui dois. Fisicamente, é muito exigente e o atleta tem de realmente cuidar do seu corpo.

É algo novo para si…
O campeonato é bom e, como a maioria das ligas, pode melhorar. Acho que as equipas vão tornar-se mais competitivas com o passar do tempo. Quando contratarem jogadores estrangeiros, haverá mais competitidade. Tornará o campeonato mais bem disputado de cima para baixo.

O que se deve acrescentar ao nosso basquetebol?
Acho que seria bom criar uma academia de básquete para jovens jogadores e assim surgirem talentos.

Adaptação ao clima
é a maior dificuldade


Enfrentou alguma dificuldade para se impor no basquetebol angolano?
Para um jogador estrangeiro, a maior dificuldade é a adaptacção ao calor. No início, é muito difícil jogar, principalmente por causa do calor, mas como em qualquer actividade, a pessoa aprende a adaptar-se a esse factor, aos hábitos e aos custumes.

O que se pode esperar de si na competição?
Farei o que for preciso para vencer.

Acha que a sua equipa tem capacidade para lutar pelo título?
Temos tudo para fazer uma boa época. Acredito nos meus companheiros e treinadores. Penso que podemos ter uma prestação especial, se continuarmos a trabalhar duro e mantermos o foco nos nossos objetivos.

Petro de Luanda, 1º de Agosto, ASA, Interclube e Recreativo do Libolo. Em quem aposta para vencer a prova?
Sempre acreditei na possibilidade de a minha equipa ser a campeã. Se não acreditasse, nada estaria a fazer aqui. Respeito todas as outras formações, mas acredito na minha, pois temos bons jogadores.

Com que equipa sentiu mais dificuldade de jogar até ao momento?
Talvez seja uma surpresa, mas o Promode de Cabinda é a mais difícil. Eles jogam extremamente bem. São duros e resistentes. Nunca desistem! Têm amor pela equipa.

"Aqui o jogo é muito rápido"

Que diferença nota entre o basquetebol angolano e o europeu?
Cada campeonato tem a sua especificidade. Aqui, corre-se muito; os jogos são muito rápidos. Nas outras ligas, por onde passei, em Portugal e em Espanha, trabalha-se muito a técnica.

Há bons jogadores em Angola?
Há muitos bons jogadores.

Acredita na capacidade deles poderem jogar na NBA?
A NBA é um campeonato muito difícil de se entrar. Penso ser necessário estar no lugar e na hora certa. Há alguns jogadores que têm habilidade, como o Olímpio Cipriano e o Carlos Morais. Se calhar, podem estar lá, pois são atletas com carisma, bem dotados física e tacticamente, com prestígio a nível nacional e internacional.

Caso fosse convidado a representar a Selecção de Angola aceitaria?
Sou americano e não penso que por agora seja possível. Se um dia tiver a nacionalidade angolana, talvez pensasse nisso.

Em linhas gerais, que avaliação faz do basquetebol angolano?
Parece caminhar na direção certa. O campeonato deste ano é mais forte que o anterior. Espero que continue a crescer. Quanto melhor for o campeonato, mais jogadores estrangeiros virão.

Como caracteriza o balneário da sua equipa?
É bom. Somos como uma família.

Qual é o jogador angolano que admira?
Admiro todos os companheiros de equipa, por motivos diferentes. Gosto dos jogadores que fazem de tudo para ganhar.
Por aquilo que ouvi, o Jean Jacques enquadrava-se nesse perfil. O Leonel Paulo também e, por isso, admiro-o. O jogador mais talentoso com quem joguei é Olimpio Sipriano, pois sabe fazer de tudo na quadra de basquetebol.

Empenhado em ganhar
o campeonato


Que outro clube representaria em Angola além do Libolo?
Tento não pensar nisso durante a época. Neste momento, estou apenas concentrado no Recreativo do Libolo. Estou feliz no Libolo e empenhado em ganhar o campeonato.

É um jogador versátil, podendo jogar como poste e como extremo. Qual é a sua posição favorita?
É a de extremo, porquanto me sinto mais entrosado no jogo. Para já, jogar em mais de uma posição é fudamental no basquetebol.

O que lhe dá mais prazer, marcar um triplo ou ressaltar?
Qualquer das duas situações são importantes, pois ajudam a atingir o objectivo da equipa, mas, pessoalmente, prefiro fazer muitos pontos e não importa se são três ou dois.

Acredita na qualidade dos estrangeiros que actuam no nosso campeonato?
Acho que são úteis, pois ajudam a dar qualidade à prova e maior competividade aos jogadores locais. Acredito que muitos estrangeiros virão, pois aqui o campeonato é forte.

Contrato é satisfatório

O salário que aufere permite viver com tranquilidade no país?
O mais importante é o Libolo pagar-me na hora. Jeguei em vários países do mundo e Libolo é a única equipa que faz isso. Essa é uma das razões por que assinei por duas épocas. É muito fácil fazer o trabalho com estas condições.

Neste particular aqui é melhor...
Não vou dizer quanto ganhei, mas aqui honra-se os compromissos.

Quer dizer que o contrato o satisfaz...
Quando assino um contrato de trabalho é porque é bom. A partir daí, só tenho de cumprir a minha parte, que é fazer um bom trabalho, potencializar a equipa e lutar para que os objectivos traçados pelos treinadores, atletas e dirigentes se cumpram.

Perfil
Nome:
Reggie Moore
Estado Civil: Casado
Idade: 29 anos
Altura: 2.02 metros
Peso: 120 quilogramas
Calçado: 46
Música: Todo o tipo
Bebida: Coca-Cola
Jogardor favorito: Kobe Bryant

 

publicado por CASSUPITA às 14:11
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RAUL DUARTE QUER LIBOLO NO PÓDIO

 

Gosta de enfrentar novos desafios e viver do basquetebol angolano. É desta maneira que se define o actual treinador do Recreativo do Libolo, Raul Duarte. Em entrevista ao “Jornal dos Desportos”, o técnico faz uma análise da presença dos jogadores estrangeiros em Angola e avalia a actual situação dos jovens basquetebolistas angolanos. Duarte aponta os males que os enfermam bem como a saída para se melhorar a qualidade de formação dos jovens. Faz um apelo aos dirigentes que regem a modalidade no sentido de se encontrar mecanismos que visam a evolução cada vez mais do basquetebol angolano.. .

Os estrangeiros vêm para dar mais-valia ao basquetebol angolano ou impedem o aparecimento das jovens estrelas locais?
Há uns tempos na NBA era difícil ter jogadores estrangeiros, agora entram muitos jogadores, não por serem europeus ou asiáticos, mas por serem bons jogadores, que por sua vez vão transmitir qualidade à NBA. Hoje, o que se passa no nosso basquetebol, muito honestamente, é que há uma deficiente formação dos jogadores nas diferentes agremiações, que os vendem aos clubes que têm mais recursos. Os clubes com elevados recursos também deixaram de fazer a formação, porque querem comprar atletas formados em função dos seus recursos. É verdade que muitos profissionais que trabalham nesse escalão não têm a formação para o fazer. Então, tudo isso está a fazer com que não haja homens altos, nem mesmo jogadores com qualidade para a posição 1 (base), não têm as mesmas qualidades de treinamento que no passado.

Os jogadores estrangeiros que actuam no nosso campeonato são de elevada qualidade? São úteis para quem os contrata e é o mais importante, pois não acho que alguém contrate um jogador estrangeiro sem qualidade, em detrimento de um angolano com qualidade.

O que fazer para colmatar esta situação?
Temos de pensar muito seriamente se os clubes têm bolas, se o campo, onde treinam, tem qualidade. Devemos pensar em investir nas pessoas que formam os nossos atletas. Os departamentos dos clubes devem organizar-se para que no tempo certo os atletas tenham bilhete de identidade; inscrevê-los nas associações provinciais; pressionar as entidades que dirigem o basquetebol no sentido de organizarem torneios abertos, campeonatos provinciais e nacionais. É necessário que os organizadores dos campeonatos provinciais de Luanda, o maior polo de desenvolvimento da modalidade, sejam completamente diferentes. Nos últimos quatro anos, tem sido uma desgraça. A organização não motiva os mais novos a treinar com mais força, porque não há competição. O que se depara é meia dúzia de jogos que não permite a evolução.

Gente ligada ao basquetebol alega que sem os estrangeiros a modalidade continuaria na mó de cima e surgiria mais atletas nas grandes equipas...Onde é que estão esses jogadores?
O Ezequiel e o Abdel (com problemas motores) têm 2,2m de altura, mas não sabem correr, têm dificuldades motoras gravíssimas, têm problemas no posicionamento das pernas, no bloqueio, no lançamento, no gancho e semi-gancho. São coisas básicas. Isso nos faz pensar no seguinte: se o objectivo do clube é estar nos primeiros lugares, o que fazer? A resposta é muito simples: em função da falta de jogador de qualidade, tem de se buscar fora das fronteiras nacionais, pois os que temos não marcam grande diferença; não são grandes jogadores, mas são úteis. A verdade é que o pouco que surge não é igual ao do passado. Naquela época, havia Jean Jacques e David Dias, só para citar esses, tinham grande envoltura, bom trabalho de perna e passe. Isso tinha a ver com a formação feita, número de jogos a nível de Luanda, pois havia boas equipas como o Vila Clotilde, Nocal, Petro de Luanda, Sporting, entre muitas.

As pessoas que dirigem os clubes põem em risco o futuro da modalidade?
Que as coisas não estão bem, toda a gente sabe. Que as coisas têm de melhorar, também toda a gente tem a consciência. As pessoas responsáveis têm de procurar um modelo de desenvolvimento para o basquetebol, que façam crescê-la. Essa é que tem de ser a primeira preocupação. As pessoas deviam perguntar-se: porque é que temos quase sempre os pavilhões vazios? Porque é que o jogador angolano não se assume ao mais alto nível, salvo raras excepções? Não vemos quase nenhum jogador de 20 anos a jogar na principal competição portuguesa. Os jogadores continuam a ser os mesmos. Por que não aparecem jogadores novos todos os anos? São estes tipos de interrogações que deviam ser feitos para se começar a pensar num modelo que sirva os interesses do basquetebol em Angola. O basquetebol angolano não está bem... A verdade é que os resultados a nível nacional disfarçam a imagem do nosso basquetebol. A nossa selecção foi a vice-campeã africana de júnior, mas questiona-se, onde é que se pratica o melhor basquetebol em África. A resposta é clara: em Angola. Então, as nossas referências não podem ser as africanas, têm de ser campeonatos do Mundo. Para tal, temos de trabalhar muito.

“Meus contratos são bons”

O contrato com o Libolo satisfaz os seus intentos?
Quando assino contratos de trabalho, é porque são bons. À partida, só tenho de cumprir a minha parte, que é fazer um bom trabalho, potencializar a equipa e lutar para que os objectivos traçados pelos treinadores, atletas e dirigentes se cumpram.

É melhor em relação aos outros clubes por onde passou?
Não vou dizer quanto ganho, mas quer no 1º de Agosto quer no Petro de Luanda ou no Libolo serve para dar melhores condições à minha família.

“Esta é a equipa idealizada”

O Desportivo do Libolo é a mais nova agremiação do basquetebol angolano. Que comentário se lhe oferece fazer sobre a equipa que dirige?
É uma boa equipa. Comparando-a com o primeiro dia de treinos (15 de Setembro), confesso que não tem nada a ver com o que é hoje a equipa do Recreativo do Libolo. Recebemos muitos jogadores para teste, mas apenas um deles ficou. Paulatinamente, recebemos alguns agentes de atletas bem como contactámos outros para fazerem parte do grupo. Posso dizer que estou muito contente com o grupo à minha disposição, principalmente, pela dedicação dos atletas. Esta equipa, ao que parece, ainda apresenta dificuldades técnicas... O que nos falta, vamos superá-la com o aprimoramento da técnica, pois há muita dificuldade no que toca à técnica defensiva e ofensiva; há falta de jogos nas pernas de muitos jovens, porquanto alguns destes atletas não jogaram muito quando eram cadetes e juniores, adicionando o facto de que quem os treinou condicionou o futuro deles. Nesta altura, somos obrigados a ensiná-los a fazer lançamentos debaixo da tabela, ganchos e semi-ganchos, defender e correr com a bola. Há muitos pormenores técnicos que não puderam aprender na sua formação como atleta.

Esta é a equipa que idealizou ou a equipa possível?
De certa forma é a equipa que idealizei, porque não podemos ter tudo e nem vamos conseguir ter, mas é do equilíbrio de jogadores entre as equipas que vão todos ganhar. Se não houver equilíbrio, como aconteceu em alguns anos atrás, não haverá motivação nem atracção do público e acaba por não haver patrocinadores. E com isso quem sai a perder é o basquetebol. O equilíbrio é fundamental. Aquele que tirar maior partido dos jogadores que dispõe vai ser campeão.

Nesta altura qual é o sector que tem maiores dificuldade?
Os jogadores que actuam na posição de base devem crescer o mais rápido possível; que tenham uma grande atitude defensiva e uma maior capacidade de controlo da bola e leitura de jogo. Por exemplo: perdemos o jogo com o Petro de Luanda num período fundamental do jogo, quando perdemos três lançamentos consecutivos e precipitados. O crescimento que pretendemos é neste sector da equipa, pois são eles que organizam e determinam o ritmo da equipa. Outro sector que também temos um grande problema é a posição de poste. Nessa posição, os dois jogadores experientes são baixos e os mais altos são imaturos e tem muitas dificuldades em termos de ressalto defensivo e ofensivo.

E qual é o sector que mais lhe dá confiança?
Creio que a área que está melhor servida é a posição de extremos; tem jogadores bastante experientes.

Perante essas dificuldades, o Desportivo do Libolo está em condições de ser a terceira força do basquetebol angolano?
Não queremos assumir nada. O historial do basquetebol angolano está a favor do 1º de Agosto, Petro de Luanda, Interclube e ASA, que já estão nessa competição há muito tempo. Queremos começar a escrever a nossa história.

Lutar para os primeiros lugares

Qual é o vosso objectivo para a presente época?
O objectivo traçado é ficar entre os quatros primeiros classificados nessa fase, o que vai permitir jogar muitas vezes com os mais fortes e em função disso permitir o nosso crescimento. Só depois de superar essa meta, com muita luta, almejamos outras coisas como o terceiro, segundo ou, eventualmente, o primeiro lugar.

A entrada de jogadores veteranos como Gerson Monteiro vem dar equilíbrio à equipa? Quando construímos o conjunto, pensámos ter alguma experiência e jogadores mais jovens para que haja algum equilíbrio. Não podemos ter todos os bons jogadores, porque temos um limite orçamental. Felizmente, o Libolo está a cimentar o seu nome sobre o rigor orçamental. Quando idealizámo-la, queríamos ter alguns jogadores experientes que dariam alguma competitividade à equipa e também com alguns jovens que fossem muito mais fortes no futuro, aprendendo com esses mais velhos. É assim que está constituída a equipa do Libolo.

Como caracteriza a sua relação com jogadores mais velhos?
O que é fundamental para um treinador é que dê o exemplo. Ou seja, cometo os meus erros e tenho as minhas limitações como qualquer outro treinador. Mas há uma coisa que procuro fazer sempre: dar o meu melhor e os jogadores são justos, quando percebem que do outro lado está uma pessoa que dá o seu melhor e que os respeita. No entanto, nunca tive problemas desse género.

O que é mais importante para os atletas inexperientes? ser jovem e jogar na alta competição ou o facto de serem do Libolo? O mais importante nem é tanto a competição. O importante é que eles tenham o seu espaço. Muitas vezes diz-se que “tem de se apostar nos jovens e eles têm de jogar”. Não é assim. Eles jogam se merecerem e se mostrarem que têm qualidade. Não é por serem jovens ou por serem da formação do Libolo que devem jogar. Aquilo que dificulta mais a evolução de um jogador júnior para sénior, nessa fase de transição, muitas vezes, é quando se trabalha menos. O que procuro fazer com esses jogadores é que trabalhem muito nessa fase.

“Meu percurso sempre foi de risco”

O que lhe levou a aceitar o convite para treinar o Recreativo do Libolo?
O meu percurso sempre foi de risco, de assumir novos desafios e de estar sempre ligado ao basquetebol com verdade, frontalidade e com muito trabalho. Em 2000, abandonei o Grupo Desportivo da Nocal, em feminino, e passei para o basquetebol masculino no Interclube. Estive dois anos à frente daquela colectividade e conseguimos, com apoio da direcção e dos atletas que estavam a começar o percurso no basquetebol, ser vice-campeão nacional.

Por que não se manteve naquela agremiação?
Se quisesse, teria ficado lá, comodamente, mas mudei para o Petro de Luanda, onde sabia que iria encontrar grandes dificuldades, como a pressão. Naquela altura, o 1º de Agosto, sem sombra de dúvidas, era a maior equipa, e não dava espaço para ninguém. Ainda assim, jogámos a um nível muito elevado e conseguimos ganhar uma Taça de Angola. No ano a seguir, as coisas no Petro de Luanda não correram bem. Recebi um convite do 1º de Agosto. Em Janeiro deste ano, a direcção do 1º de Agosto decidiu mudar o corpo técnico e fui para a equipa feminina. Estive lá, comodamente, a liderar um processo de entrada de novas jogadoras para a equipa sénior. Surgiu o convite para treinar a equipa do Recreativo do Libolo, aceitei-o e estou aqui.

Se estava comodamente no 1º de Agosto a treinar a equipa feminina, por que saiu? Saí, porque a época dos campeonatos seniores masculinos dura cerca de sete a oito meses e a competição é mais exigente; sou obrigado a trabalhar muito mais horas que no feminino não tinha oportunidade de fazer. Estou aqui no basquetebol para continuar a aprender e continuar a evoluir, por isso é que aceitei este convite.

Aceitou este convite ciente da falta de condições?
Naturalmente. Aquilo que me foi posto em cima da mesa é que este primeiro ano seria muito difícil, pois não há infra-estruturas desportivas para desportos de sala em Calulo. A verdade é que o futebol também viveu esta situação. Só mais tarde as coisas melhoraram. Estamos preparados para treinar mais tempo ou menos tempo. Vamos esperar que os prazos sejam cumpridos e que, em Maio, o campo esteja pronto e possamos jogar e treinar na sede do clube.

É vossa intenção realizar os vossos jogos em Calulo?
Não há nada melhor do que jogar diante dos nossos adeptos. Muita coisa pode contribuir para o desenvolvimento da equipa como o clima, a calma da cidade, bem como as condições de alojamento e alimentação. Creio que vamos dar um salto muito grande depois de beneficiarmos das condições de trabalho em Calulo.

Se dentro deste tempo determinado as condições de trabalho não melhorarem ? Creio que isto não vai acontecer, pois confio nas pessoas que estão à frente deste projecto. Sei que vivem o dia-a-dia da equipa sénior masculino de basquetebol. Acredito que, em Outubro do próximo ano, estaremos a jogar o Campeonato Nacional de Basquetebol em Calulo.

publicado por CASSUPITA às 14:01
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