Quarta-feira, 9 de Junho de 2010

“Se não houver 1º de AGOSTO forte não haverá Interclube forte

 

 

  

SÍLVIO LEMOS, DO 1º DE AGOSTO

“Se não houver

1º de Agosto forte

não haverá

Interclube forte”

 

O director para o basquetebol do 1º de Agosto, Sílvio Lemos, promete extinguir a equipa sénior feminina, se o Interclube não cumprir com o acordo feito entre as duas vice-presidências. Em entrevista exclusiva a esse Jornal, Sílvio afirma que não é intenção do clube extinguir a equipa, mas se não houver recursos que sustentam o equilíbrio competitivo com o Interclube não há outra alternativa. O director aponta também a conquista do ceptro do BAI BASKET em masculino como objectivo primário e apela à Federação Angolana de Basquetebol a ter cuidado nas escolhas das equipas de arbitragem, porque se “está a premiar más arbitragens”. Por outro lado, o dirigente revela as razões que levaram a direcção a preterir dos préstimos do Ângelo Vitoriano.

 

Textos: Valódia Kambata

 

Qual é a realidade da equipa sénior feminina de basquetebol do 1º de Agosto?

Nesse momento, a equipa sénior feminina não está a atravessar um bom período, face à pouca preparação e comparência das atletas nos treinos em função dos afazeres diários. O basquetebol feminino não é profissional no clube, não tem estatuto do masculino. Foi muito complicado geri-la, o que teve implicância na não conquista do ceptro do campeonato nacional e da Taça de Angola. Estamos com dificuldades em criar um grupo que nos dê garantia competitiva.

Confirma a perda de atletas para o Interclube?

Nas duas últimas épocas, a equipa perdeu cinco atletas fundamentais e isso mexe com a estrutura de qualquer clube. Estamos a equacionar as várias situações para dar corpo a uma equipa competitiva e as atletas à disposição representam tão-somente o esqueleto principal. Se eventualmente saírem mais outras, será extremamente difícil manter o basquetebol feminino. Não existem atletas no mercado nacional que possam ser contratadas para resgatar tudo que perdemos na época transacta e mantermos os objectivos intactos.

A extinção da equipa sénior feminina de basquetebol é uma decisão da direcção do clube 1º de Agosto ou uma intenção da direcção de basquetebol?

Por respeito a jogadores, que ainda se mantém no clube, aconselha-se mantê-la na continuidade. A verdade é que no seio da direcção do clube há preocupação se não tiver uma equipa competitiva.

Face à rotura criada, pensam contratar atletas de outros clubes?

O mercado de atletas do basquetebol é muito pobre. O clube não dispõe de recursos financeiros para recorrer a outros mercados. Estamos a fazer esforços no sentido de criar uma equipa competitiva e que possa lutar em igual circunstâncias com outras como o Interclube, bem como rivalizar nas competições internacionais, tendo em conta o nome do clube granjeado no continente. O caso está entregue à direcção do clube e quando tomar a decisão, da-la-emos a conhecer publicamente. O clube está a fazer tudo para manter o basquetebol sénior feminino, pois a nossa agremiação absorve também responsabilidade social.

A concretizar a extinção, o basquetebol feminino nacional corre sérios riscos no processo de desenvolvimento…

Não seria bom para o basquetebol nacional se o 1º de Agosto deixasse de competir a nível internacional; sempre foi o principal fornecedor de atletas à Selecção Nacional. Vamos fazer um grande esforço, mas tem de ser acompanhado pelos órgãos que regulam a modalidade no país e com o objectivo de criar um basquetebol feminino forte. Refiro-me a forte, porque queremos a adesão de muitas pessoas. Vamos continuar a lutar para que tenhamos boa equipa.

Contactaram a Federação Angolana de Basquetebol (FAB) face a transferências?

Pessoalmente, já abordei a questão com o secretário-geral da FAB (Tony Sofrimento) e com a direcção da Associação Provincial de Basquetebol de Luanda. Fui informado que o Interclube ainda não notificou a Associação Provincial de basquetebol de Luanda nem a Federação Angolana de Basquetebol para a inscrição das atletas. Quando as inscrições darem entradas a essas instituições, o Interclube tem de dizer alguma coisa. As atletas disseram-nos que já não fazem parte da equipa do 1º de Agosto e estão a treinar no Interclube. Vamos aguardar e depois o clube tomará as decisões pertinentes.

A direcção do Interclube manteve algum contacto com o 1º de Agosto?

Essa preocupação foi apresentada numa reunião entre os vice-presidentes dos dois clubes no sentido de se criar equilíbrio dentro do basquetebol sénior feminino. No entanto, ainda não sentimos nada da parte dos responsáveis do Interclube na efectivação do acordado. A verdade é que se não houver um 1º de Agosto forte não haverá um Interclube forte. A nossa competição já é pobre em função do número reduzido de equipas e se existir desequilíbrio entre o Interclube e o 1º de Agosto, vai perder gosto. Se nos tirarem as melhores atletas, não teremos disposição para competir na alta-roda do basquetebol sénior feminino. Cabe às pessoas de direito tomarem as decisões coerentes que proteja o basquetebol feminino.

Há falta de interesse da Federação Angolana para com o basquetebol feminino?

Tudo quanto sei é que há interesse da federação em dar outra imagem ao basquetebol feminino. Mesmo que haja intenção da Federação, os principais impulsionadores dessas mudanças são os clubes, portadores dos escalões de formação e de treinadores com qualidades elevadas para formar os atletas. Às vezes, a Federação pode ter boa vontade, mas se não tiverem o acompanhamento dos associados muito pouco pode fazer.

Como homem ligado ao basquetebol há muito tempo, como caracteriza o basquetebol feminino?

 Desde os últimos cinco anos, o basquetebol feminino está a perder qualidade, fruto de pouco interesse dos próprios clubes. Das 12 equipas que estão a disputar o campeonato nacional de basquetebol masculino apenas duas têm equipas femininas, o Interclube e o 1º de Agosto. Isso mostra o desinteresse dos clubes quanto ao basquetebol feminino. Para mudar o actual quadro, a Federação deve regulamentar que os clubes grandes tenham obrigatoriamente basquetebol feminino. Só assim pode haver mais competição em função do número de equipas e despontar mais talentos.

Como estão os escalões de formação dos femininos?  

Se existe um clube, no qual se respeita a formação em ambos os sexos, é o clube 1º de Agosto. Estamos representados em todos os escalões desde os mini-basket até ao escalão sénior. Fazemo-lo, porque sentimos que temos responsabilidades na sociedade. Temos seis atletas preparadas para entrar na equipa principal este ano, caso tudo esteja resolvido.

 

 

 “Vamos conquistar

o BAI BASKET’2010”

 

A equipa masculina do 1º de Agosto está velha?

Isso depende do ponto de vista de cada um. A equipa ainda está dentro dos padrões. Aliás, há uma miscelânea de atletas novos e mais velhos; estamos a fazer as transições lentamente, pois não podia ser de forma brusca, o que quebraria um pouco daquilo que é o 1º de Agosto. Actualmente, temos uma equipa com muita qualidade; com atletas que já deram muita alegria ao nosso basquetebol, quer nos clubes como na selecção. Não é bom ouvir o que algumas pessoas falam nas rádios. Afirmar que o Kikas, Lutonda e o Carlos Almeida não têm mais frescura física não corresponde à verdade. Deveríamos respeitá-los, pois estamos a falar de campeões africanos; de pessoas que sempre representaram o país em diferentes competições internacionais. São profissionais competentes que merecem respeito e muita consideração na sociedade angolana, quando nos referimos a eles.

Já existe algum projecto que gostaria de levar a cabo na próxima época?

Primeiro, vamos terminar a presente época e só depois vamos apresentar os nossos projectos. Por enquanto, estamos virados apenas à conquista do campeonato nacional.

Por onde passa o futuro do treinador Luís Magalhães?

Temos intenções de renovar o contracto com o treinador Luís Magalhães, mas é necessário haver interesse das duas partes. Já mostrámos o nosso interesse e o professor também. Acreditamos que brevemente tudo estará resolvido. É um treinador que deu mostra de muita qualidade e profissionalismo e é de todo o interesse do clube em renovar o contrato com Luís Magalhães.

Para a próxima época, vão ao mercado estrangeiro contratar jogadores preponderantes?

Ainda é muito cedo para se falar disso.

Para quando a ascensão dos principais valores dos escalões de formação do clube que esperam concretizar o sonho?

Há cinco anos que o 1º de Agosto tem um grupo de atletas de muita qualidade. Para entrar na equipa principal do 1º de Agosto, o atleta tem de ter muita qualidade, pois não é fácil substituir atletas como Kikas, Lutonda, Carlos Almeida, entre outros. O que acontece é que no final da formação do atleta, os responsáveis técnicos fazem uma avaliação, se o atleta pode fazer parte do clube futuramente. Se forem aprovados, são emprestados a outros clubes a fim de rodarem e terem maior competitividade.

Como avalia a prestação da equipa sénior masculina no BAI BASKET?

A situação continua como a direcção prognosticou. Estamos com um grupo de atletas há cinco anos e continuam a dar garantias do cumprimento dos objectivos traçados. Embora tenhamos perdido a Taça de Angola, vamos conquistar o Campeonato Nacional.

Para a próxima época, vão contar com Miguel Lutonda?

Como director para o basquetebol do 1º de Agosto e como amigo e ex-colega, terei muito prazer em vê-lo a jogar por mais dois ou três anos, porque tem capacidade física para muito tempo. É muito orgulho tê-lo na equipa com a idade que tem e ainda ser um atleta competitivo. O pensamento da direcção é que teremos o Miguel Lutonda para mais dois ou três anos a jogar no 1º de Agosto.

Como está a situação de Mayzer Alexandre?

O Mayzer Alexandre foi emprestado ao ASA para uma época para ter mais tempo de jogo e mais rodagem competitiva. No final da presente época, regressa ao clube. Se estiver dentro daquilo que nos propusemos, permanecerá na equipa. Nesse momento, garanto-lhe que Mayzer é atleta do 1º de Agosto emprestado ao ASA.

 

 

Ângelo Vitoriano

está fora da equipa

 

O que aconteceu com o treinador Ângelo Vitoriano?

O treinador Ângelo Vitoriano não compareceu em duas deslocações que a equipa teve. A primeira foi na fase de eliminatória de acesso à Liga dos Campeões Africanos e a segunda a fase final da Liga de Clubes Campeões. Quando regressei, fui informado que o treinador Ângelo Vitoriano já não fazia parte da equipa técnica.

Não houve uma conversa para se apurar os factos?

Para nós, os treinadores são líderes e como tal devem dar exemplos. Foi por esta linha que a direcção do clube preteriu dos préstimos do treinador Ângelo Vitoriano do quadro técnico do clube.

Mas ainda faz parte do clube nesse momento?

Neste momento, o treinador já não faz parte dos quadros do clube.

 

 

 

Cuidados com árbitros

 

Muitos agentes reclamam da arbitragem. Que avaliação faz nesse final de campeonato?

A verdade é que a Federação Angolana através do Conselho de Arbitragem deve ter muita atenção com os árbitros. Nos últimos tempos, sentimos algumas arbitragens péssimas. Apelamos a quem de direito para avaliar o trabalho dos árbitros, assim como os clubes avaliam os atletas e os treinadores.

Isso tem a ver com o jogo da finalíssima em que o Libolo ganhou?

O Recreativo do Libolo ganhou bem e com muito mérito. Mas a verdade é que algumas arbitragens nos têm dificultado. Já mandámos alguns vídeos aos responsáveis da Federação para analisar e perceber o que se passa na arbitragem. Por exemplo, como é que um árbitro (Fernando Pacheco) que foi muito contestado na sexta-feira e no jogo seguinte, no domingo, volta a apitar na partida que envolveu novamente as duas equipas? Parece que estão a premiar as más arbitragens. O nosso apelo vai à Federação para que tenha muito cuidado na escolha das equipas de arbitragens, cujas actuações não ponha em causa a verdade desportiva.

 

publicado por CASSUPITA às 11:29
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