Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

Abrua 10 anos de existência

 

  Fernando Cardoso

PRESIDENTE DA ABRUA (ASSOCIAÇÃO DE BASQUETEBOL DE RUA)

 

Que avaliação faz dos dez anos de existências da Abrua?
Durante estes anos, conseguimos concretizar os ideais traçados relativamente ao tratamento e encaminhamento dos jovens na sociedade através da vertente desportiva, tirá-los, em número considerável, de situações menos aconselháveis, como por exemplo, a delinquência. Dá-nos um certo orgulho saber que ajudámos muitos jovens. A avaliação é bastante positiva.

Qual é o número de pessoas envolvidas nos vossos programas?
Mais de dois mil jovens praticaram basquetebol durante os dez anos de existência de torneios promovidos pela Associação de Basquetebol de Rua (Abrua), no âmbito da massificação da modalidade, nos distintos municípios da cidade de Luanda. Podemos citar os campeonatos provinciais e nacionais, os torneios Março Mulher, 14 de Abril, Taça 28 de Agosto, 11 de Novembro, Fim-de-Ano, entre outros certames.

Com o basquetebol conseguiram ajudar a sociedade?
O basquetebol de rua beneficia no comportamento dos jovens, ocupando os seus tempos livres e desviando-nos da prática de actos criminosos ou do consumo de drogas. Realizámos vários campeonatos com o apoio de algumas empresas, por exemplo, o campeonato nacional, em 2002, no qual estiveram presentes 17 das 18 províncias, o que mostra o grau de importância de basquetebol de rua na vida de vários jovens do país. Encaminhámos muitos jovens para as equipas do 1º de Agosto e Petro de Luanda, só para citar essas, nas quais brilham.

A dimensão da Abrua não é a mesma nos dias correntes. O que está na base da pouca visibilidade da vossa associação?
A nossa associação está a meio gás, porque temos grandes dificuldades em realizar jogos por falta de campos. 

O que aconteceu às quadras de jogos?
Alguns campos como o da Tchechénia, do Morro Bento, dos Bombeiros, no Cazenga, deixaram de existir e, como consequência, a propagação do basquetebol de rua também diminuiu. Neste momento, estamos a realizar um torneio, embora não tenha tanta dimensão comparativamente aos torneios anteriores. Continuamos a trabalhar para ocupar os tempos livres dos jovens. A prática do basquetebol de rua ajuda-os a despertar o interesse pelo desporto e a prepará-los para uma possível integração em grandes clubes do país.

O Governo da Província de Luanda está a construir quadras novas. Por que não as aproveitam para a realização das vossas actividades?
Há um grande interesse das autoridades da província de Luanda em proporcionar aos seus habitantes lugares de lazer. No entanto, vários campos de basquetebol estão a ser construídos e, nós, ABRUA, vamos aproveitá-los para revitalizar as nossas actividades. Neste momento, estamos a fazer um ensaio, com o apoio da Red Cola, para realizarmos um torneio enquadrado no programa de divulgação da nossa instituição.

Houve algum contacto com o Governo da província para a utilização, a tempo inteiro, das quadras?
Num encontro com as associações, a governadora Francisco do Espírito Santos havia disponibilizado as quadras. Ou seja, estão a cargo das Administrações Municipais, mas sob responsabilidade desportiva da Abrua. Estamos cientes das nossas responsabilidades e vamos fazer o que nos compete.

 Quando prevêem realizar os campeonatos de basquetebol de rua no presente ano?
As quadras já são um grande passo, mas faltam-nos algumas coisas, principalmente, na vertente dos apoios, como equipamento. O atleta da Abrua não ganha muita coisa. O principal ganho é a convivência e os equipamentos. Sou a favor da atribuição de estímulos materiais, no mínimo, como troféus. Para que se realize um bom campeonato, precisamos de bolas, entre outras coisas inerentes à prática de basquetebol.

 Têm patrocinadores?
Nesse momento, temos a Red Cola. Queremos apoios de outras instituições e pessoas singulares para resgatarmos a nossa imagem do passado recente e incutirmos nas novas gerações de jovens o hábito da prática de desporto.

Quantos jovens saídos do vosso projecto estão agora no basquetebol federado?
Temos muitos jovens saídos do basquetebol de rua que hoje militam no campeonato nacional. É difícil apresentar um número exacto, mas o expoente máximo do basquetebol de rua é o Olímpio Cipriano. Ele jogou no Núcleo dos Coqueiros. Temos ainda o Swing e o Edmundo Ventura. Ao longo dos dez anos de existência da Abrua, formámos muitos jogadores. A nossa missão é fomentar o basquetebol e dar oportunidade aos jovens. Felizmente, muitos conseguiram singrar no basquetebol, outros em diferentes ramos da sociedade.

Associação tem 70
núcleos em Luanda

Como está o projecto de construção da Escola de Basquetebol para Crianças Pobres?
FC – O projecto está vocacionado, principalmente, para as crianças que vivem em orfanatos. O nosso objectivo é incentivar os petizes que se encontram nas ruas de Luanda a regressarem aos lares e ensiná-los o ABC da modalidade, bem como formação profissional para que tenham uma ocupação.

Para quando a sua efectivação?
O protocolo com a FESA já está rubricado. Agora, vamos esperar que a construção da mesma se concretize.

Quais são as razões do atraso da sua construção?
Tivemos um encontro com o director-geral da FESA, no qual acordámos marcar um novo encontro para acertarmos detalhes do convénio rubricado.

O tempo de paralisação da Abrua não terá contribuído negativamente na propagação do basquetebol?
Para quem levou o bichinho da “bola ao cesto” a pessoas que não gostavam de basquetebol, o interregno não foi bom. Somos uma organização da comunidade, logo, devemos continuar a trabalhar para o seu engrandecimento.

Neste momento, quantos núcleos de basquetebol de rua controlam?
A nível de Luanda, temos cerca de 70 núcleos. É um pouco difícil determinar o número nas outras províncias, pois têm grandes dificuldades, à semelhança de Luanda. Tenho a certeza de que, brevemente, a situação vai ser outra.

Que comparação se pode fazer em relação à Abrua de há nove anos atrás?
Há muita diferença. Naquele tempo, a Abrua controlava 100 a 150 núcleos, só em Luanda. Actualmente, estamos a rondar 70 núcleos. Isso pressupõe que perdemos muitos jovens praticantes em Luanda.

Que se lhe oferece dizer sobre o projecto com a FESA?
O projecto com a FESA visa o desenvolvimento de basquetebol de rua em todos os bairros da capital, numa primeira fase, e, posteriormente, estendê-lo às províncias que, por tradição, praticam a modalidade, bem como incentivar aquelas que não o têm. Queremos ajudar com algum material, designadamente, tabelas, bolas, cronómetros e equipamentos para os atletas das províncias do Huambo, Namibe e Huíla. Possivelmente, a província de Cunene também beneficie nos próximos tempos.

E como está o protocolo com o Instituto de Cooperação Francesa?
Muito pouco tenho a dizer sobre isso, pois o representante da mesma já não está no país. Na verdade, no acto da assinatura do protocolo, estiveram presentes várias associações e quem deve dizer alguma coisa é o Ministério da Juventude e Desportos.

E quanto à parceria com o INAC?
Tivemos um encontro com a senhora Eufrazina Maiato, em que se abordou a elaboração de um projecto vocacionado às crianças pobres que vivem em orfanatos, cujo objecto social é incentivar as crianças para a prática do basquetebol, bem como encaminhar os petizes que se encontram nas ruas de Luanda a irem para os lares. Passámos por esses lares e distribuímos equipamentos desportivos para a prática do basquetebol. Vamos voltar a esses orfanatos e saber como estão os petizes.

O ano corrente é o de relançamento da Abrua?
Sim. Estamos a preparar um grande torneio de fim-de-ano para dar as boas-vindas ao CAN’2010. Esperamos que, com a realização desse torneio, possamos também marcar o nosso regresso à realização de grandes actividades. Acredito que os bons dias para o basquetebol de rua voltarão.

Como está o relacionamento com a Federação Angolana de Basquetebol (FAB)?
O fomento de basquetebol na rua é especificidade da Abrua, enquanto a FAB massifica e organiza, entre outras coisas. A FAB deve apoiar a Abrua, criando uma rubrica de apoio ao basquetebol de rua.

Por que razão não há uma estreita relação entre as duas instituições?
Existe um vice-presidente para a área comunitária na FAB, mas, infelizmente, nunca fomos notificados. Felizmente, temos bom relacionamento com a Associação Provincial de Basquetebol de Luanda, que sempre mostrou interesse em trabalhar connosco.

 

publicado por CASSUPITA às 11:35
link | comentar | favorito

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Junho 2010

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30


.posts recentes

. "Dois anos sem ganhar pre...

. Queremos ganhar tudo o qu...

. Abrua 10 anos de existênc...

. “Se não houver 1º de AGO...

. Adilson Banza um jovem fo...

. Reggie Moore fala de si e...

. RAUL DUARTE QUER LIBOLO N...

.arquivos

. Junho 2010

. Março 2010

.favorito

. RAUL DUARTE QUER LIBOLO N...

blogs SAPO

.subscrever feeds