Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

"Dois anos sem ganhar preocupa-nos"

 

 Director para basquetebol do Petro de luanda , Benjamim romano

 

O Petro de Luanda é uma colectividade com grande tradição no basquetebol. Nesse momento, passa por um período de menor fulgor. O que se lhe oferece dizer sobre a real a situação do clube?
Neste momento, estamos a fazer um trabalho de reestruturação dentro do nosso clube, principalmente, na equipa principal de basquetebol, devido à saída de algumas atletas preponderantes. Temos uma equipa técnica nova, cujo trabalho se circunscreve na inserção de novos hábitos. Estamos a montar uma equipa nova e competitiva. Posso afirmar que a avaliação do trabalho em curso é positiva, em função do plano de preparação, pois ainda não começamos a competir.

Qual é o objectivo ou a obrigação para a presente época?
O nosso grande objectivo, neste campeonato, é competir, embora o Petro de Luanda seja uma equipa do topo. Mais isso não significa que tem de ganhar sempre. A verdade é que vamos ser bastante competitivos. Primeiro, queremos competir e depois fazer uma avaliação. Se for possível ganhar, vamos ganhar. Um dos objectivos é fazer evoluir os jogadores em termos individuais e criar um bom colectivo. É natural que o treinador ainda não conheça muito bem as outras equipas, mas queremos fazer uma boa época nas frentes em que estivermos envolvidos como o Campeonato Provincial, a Taça de Angola e o Campeonato Nacional. Se lá chegarmos, queremos obviamente ganhar.

O Petro de Luanda não ganha o Campeonato Nacional há dois anos consecutivos. Que estratégia se está a gizar para contrapor essa situação?
O que vamos fazer é trabalhar e ir à luta, ou seja, competir e tentar conquistar o Campeonato. Aliás, esta foi uma das coisas que nos levou a fazer a reestruturação. Vamos trabalhar forte para alcançar esse desiderato.

A direcção do clube não sente a pressão dos adeptos?
Os adeptos têm todo o direito de reclamar, pois ninguém gosta de ver a sua equipa a perder e depois ver alguns dos jogadores a sair. É normal que haja inquietação, pois muitos pensam ser meio difícil fazer aquilo que estamos a fazer. É preciso acreditar em nós mesmos. É verdade que dois anos sem ganhar também já nos preocupa, por isso, estamos a fazer estas mudanças. É hora de dar oportunidade aos outros para que também possam fazer alguma coisa em prol do clube.

O Petro de Luanda vai lutar pelo título na presente época?
Vamos preparar a nossa equipa de formas a torná-la mais competitiva e - quem sabe? - depois, ganhar títulos. O mais importante é tornar a equipa mais competitiva, mas isso não significa que vamos vencer o Campeonato. Vamos competir. O Petro de Luanda continua a lutar, a nossa equipa ainda não atingiu os grandes níveis. Quando falo em trabalhar de forma antecipada, é no sentido de nos anteciparmos à época. Temos, ainda, de nos organizar internamente e já estamos a trabalhar.

Sente medo de fracassar?
Não. Estamos numa fase de mudanças, pois há dois anos que não ganhámos, logo, tem de compreender que temos de fazer alguma coisa. É isso que estamos a fazer. Quando entramos para um desafio, temos a consciência de poder ganhar e perder, mas isso não pode servir de frustração. É um elemento que faz parte do jogo. Temos de continuar e ter a força necessária de lutar para levar de vencida esse desafio. Por isso, é que vamos entrar neste Campeonato para competir.
Deduz-se, das suas palavras, que não vão lutar pelo título na presente época…
Não é isso. O que estou a dizer é que vamos entrar no Campeonato para competir. Mudamos a equipa em quase 60 por cento e fica difícil dizer que vamos ganhar. Não vamos abdicar da luta, estamos prontos para competir. Na altura certa, vamos fazer a nossa avaliação e saber se podemos conquistar o título. É necessário, também, respeitar o trabalho que está a ser feita nas outras equipas.
 
Esse é o pensamento da direcção e da equipa técnica?
Quer a direcção do clube, quer a equipa técnica e os jogadores estão todos imbuídos nesse pensamento. Estivemos reunidos e o que ficou assente é que tudo faremos para ter uma equipa bastante competitiva. São poucas as coisas que fizemos e já podemos verificar que estamos no caminho certo. Tenho a certeza de que estamos a fazer o que é certo.

Não sente alguma pressão em ter de vencer o título?
Todos os dias, temos pressão, seja ela qual for. Posso dizer que é um desafio. Peca por se fazer uma mudança radical, porque é o 1º de Agosto que está em melhores condições nesta altura. Não obstante isso, ainda temos muito de lutar, porque o Petro de Luanda tem condições para tal. 

"Milton Barros é atleta
do Petro de Luanda"



O que levou o Petro de Luanda a não renovar o contrato com Carlos Morais?
O Petro de Luanda e o Carlos Morais não chegaram a acordo. O atleta foi para um lado e o clube para outro. Não vejo qualquer motivo para tanta agitação e fazerem pensar que o Petro de Luanda nunca quis ficar com o atleta. O problema é que o jogador apresentou uma proposta e o clube, outra. A partir do momento que não há entendimento entre as duas partes o atleta é livre de procurar um outro clube. Não é por sair um atleta que o clube vai morrer. O clube continua com os jogadores à nossa disposição.

Quais foram as condições exigidas pelo atleta?
Não estou autorizado, nem habilitado para falar sobre isso.

Faltou ao Petro de Luanda algum argumento que convencesse o atleta?
Na verdade, o Petro de Luanda sempre teve a intenção de ter o Carlos Morais dentro das suas fileiras. A verdade é que não se chegou a um acordo. O atleta mostrou-se indisponível em permanecer e não vamos ficar refém do atleta. Devemos ter a coragem de aceitar isso, porque os atletas se produzem. Temos de apostar na formação dos nossos atletas. Imagina se dependêssemos apenas de dois atletas! O basquetebol estaria parado no Petro de Luanda. Desde o momento que um atleta se mostra indisponível em continuar na nossa agremiação, temos de ter a capacidade de o substituir. E pode até não surtir os resultados desejados, mas o clube não pode parar.

INDISCIPLINA DO
MILTON BARROS


O que aconteceu com Milton Barros?
O Milton Barros foi dispensado da equipa de trabalho pelo treinador principal, por questões disciplinares. Essa foi a informação que nos foi dada pelo treinador principal. É imperioso dizer que o Milton foi dispensado da equipa, mas continua a fazer parte do Petro de Luanda, uma vez ter contrato válido até o mês de Dezembro. Que fica bem assente: Milton Barros ainda é atleta do Petro de Luanda; apenas está dispensado da equipa de trabalho.

Algum clube manifestou o interesse em contratar o jogador?
Não. Nenhum clube se mostrou disponível em conversar com o Petro de Luanda em relação ao Milton. Caso apareça a jogar em qualquer clube estará a actuar de forma ilegal.

Que tipo de indisciplina cometeu Milton Barros?
Apenas sabemos o que informou o treinador: por motivos de indisciplina não contava com o atleta.

Está magoado com um dos atletas mencionados?
Claro. Eram atletas com que contávamos para a presente época. Com as suas saídas atrapalharam o nosso projecto. Criámos uma equipa que seria a consolidação do nosso projecto. Contudo, o clube não depende desses atletas. Vamos continuar a trabalhar para concretizar o nosso projecto que visa na contrução de uma equipa bastante competitiva.

Há informações que dão conta de Milton Barros estar de malas aviadas para o Recreativo do libolo…
Não sabemos nada. Qualquer iniciativa de algum clube em tê-lo, naturalmente, vai ter de negociar com o Petro de Luanda, porque ainda é jogador da  nossa agremiação.

Como está a situação de Eduardo Mingas?
Não temos qualquer situação com o Mingas. O Eduardo tem contrato com o Petro de Luanda e vai cumpri-lo na íntegra.


"A qualidade das equipas não se faz com nomes"

Algumas correntes apontam o Petro de Luanda como a terceira força do basquetebol angolano, atrás do Recreativo de Libolo. Que comentário se lhe oferece fazer?
Não concordo. As qualidades das equipas não se fazem com nomes. O Petro de Luanda é uma equipa do topo e não por ter aquele ou esse jogador, mas sim pelos resultados que tem feito. As equipas não se fazem com nomes, mas sim com resultados.

Com as saídas de jogadores preponderantes como Carlos Morais e Milton Barros, de alguma maneira, ficam fragilizados na presente época?
Não. Os dois são bons jogadores, mas o Petro de Luanda não depende somente desses dois atletas. Eles são bons, mas não estão aqui. E é com os que estão aqui que vamos trabalhar.

Quanto à conquista do título, fica mais difícil sem esses jogadores?
De maneira nenhuma. Temos bons jogadores capazes de levar o nosso projecto avante.

Há alguma intenção de ir ao mercado estrangeiro para colmatar a saída de alguns jogadores preponderantes?
Isso depende da equipa técnica. Se acharem que há necessidade de se contratar mais jogadores, vamos estudar a situação.
O Petro de Luanda é um clube que faz surgir atletas de destaque nos escalões de formação, que depois optam por outras agremiações.
Para quando a política de integração dos principais valores no vosso clube?
É uma das nossas políticas depender somente dos nossos formandos. Muitos atletas são formados no Petro de Luanda, mas vão para outros clubes. Queremos mudar isso. Num futuro próximo, vamos inverter essa situação. Aliás, basta ver na nossa equipa de seniores, já temos alguns atletas que saíram da equipa de júnior. É desta maneira que queremos trabalhar, pois com a actual crise, o lema “gastar menos” é o mais ideal.

Está arrependido de ter aceitado o convite para “conduzir” a direcção de basquetebol do Petro de Luanda?
Sendo homem de basquetebol e pertencente ao clube, não. Por outro lado, sinto que há muita coisa a dar ao basquetebol do Petro de Luanda. Vejo ainda que o basquetebol angolano precisa de jovens para dar outra dinâmica à modalidade. É necessário apostar em pessoas que conhecem as vicissitudes do basquetebol. É um bom desafio, gosto de novas aventuras e estou disposto a levá-lo até ao fim.

Que avaliação faz do actual momento do basquetebol angolano com a entrada de treinadores portugueses?
É preciso ter a coragem e olhar para aquilo que foi feito. Os treinadores portugueses deram qualidade ao nosso basquetebol. Basta olhar atrás: tivemos o professor Mário Palma que conquistou vários títulos. Luís Magalhães venceu o último Afrobasket com a selecção de Angola. Muitos dos nossos melhores jogadores actuavam no campeonato português.

Qual é a estratégia para ter novamente o Petro de Luanda na ribalta?
O mesmo que tenho dito até agora. A nossa estratégia é entrar nessa época para competir e depois definirmos se vamos lutar pelo título. Repito: estamos em mudança, temos jogadores e treinador novos e vamos continuar a trabalhar para atingir os nossos objectivos.
publicado por CASSUPITA às 11:40
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