Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

"Dois anos sem ganhar preocupa-nos"

 

 Director para basquetebol do Petro de luanda , Benjamim romano

 

O Petro de Luanda é uma colectividade com grande tradição no basquetebol. Nesse momento, passa por um período de menor fulgor. O que se lhe oferece dizer sobre a real a situação do clube?
Neste momento, estamos a fazer um trabalho de reestruturação dentro do nosso clube, principalmente, na equipa principal de basquetebol, devido à saída de algumas atletas preponderantes. Temos uma equipa técnica nova, cujo trabalho se circunscreve na inserção de novos hábitos. Estamos a montar uma equipa nova e competitiva. Posso afirmar que a avaliação do trabalho em curso é positiva, em função do plano de preparação, pois ainda não começamos a competir.

Qual é o objectivo ou a obrigação para a presente época?
O nosso grande objectivo, neste campeonato, é competir, embora o Petro de Luanda seja uma equipa do topo. Mais isso não significa que tem de ganhar sempre. A verdade é que vamos ser bastante competitivos. Primeiro, queremos competir e depois fazer uma avaliação. Se for possível ganhar, vamos ganhar. Um dos objectivos é fazer evoluir os jogadores em termos individuais e criar um bom colectivo. É natural que o treinador ainda não conheça muito bem as outras equipas, mas queremos fazer uma boa época nas frentes em que estivermos envolvidos como o Campeonato Provincial, a Taça de Angola e o Campeonato Nacional. Se lá chegarmos, queremos obviamente ganhar.

O Petro de Luanda não ganha o Campeonato Nacional há dois anos consecutivos. Que estratégia se está a gizar para contrapor essa situação?
O que vamos fazer é trabalhar e ir à luta, ou seja, competir e tentar conquistar o Campeonato. Aliás, esta foi uma das coisas que nos levou a fazer a reestruturação. Vamos trabalhar forte para alcançar esse desiderato.

A direcção do clube não sente a pressão dos adeptos?
Os adeptos têm todo o direito de reclamar, pois ninguém gosta de ver a sua equipa a perder e depois ver alguns dos jogadores a sair. É normal que haja inquietação, pois muitos pensam ser meio difícil fazer aquilo que estamos a fazer. É preciso acreditar em nós mesmos. É verdade que dois anos sem ganhar também já nos preocupa, por isso, estamos a fazer estas mudanças. É hora de dar oportunidade aos outros para que também possam fazer alguma coisa em prol do clube.

O Petro de Luanda vai lutar pelo título na presente época?
Vamos preparar a nossa equipa de formas a torná-la mais competitiva e - quem sabe? - depois, ganhar títulos. O mais importante é tornar a equipa mais competitiva, mas isso não significa que vamos vencer o Campeonato. Vamos competir. O Petro de Luanda continua a lutar, a nossa equipa ainda não atingiu os grandes níveis. Quando falo em trabalhar de forma antecipada, é no sentido de nos anteciparmos à época. Temos, ainda, de nos organizar internamente e já estamos a trabalhar.

Sente medo de fracassar?
Não. Estamos numa fase de mudanças, pois há dois anos que não ganhámos, logo, tem de compreender que temos de fazer alguma coisa. É isso que estamos a fazer. Quando entramos para um desafio, temos a consciência de poder ganhar e perder, mas isso não pode servir de frustração. É um elemento que faz parte do jogo. Temos de continuar e ter a força necessária de lutar para levar de vencida esse desafio. Por isso, é que vamos entrar neste Campeonato para competir.
Deduz-se, das suas palavras, que não vão lutar pelo título na presente época…
Não é isso. O que estou a dizer é que vamos entrar no Campeonato para competir. Mudamos a equipa em quase 60 por cento e fica difícil dizer que vamos ganhar. Não vamos abdicar da luta, estamos prontos para competir. Na altura certa, vamos fazer a nossa avaliação e saber se podemos conquistar o título. É necessário, também, respeitar o trabalho que está a ser feita nas outras equipas.
 
Esse é o pensamento da direcção e da equipa técnica?
Quer a direcção do clube, quer a equipa técnica e os jogadores estão todos imbuídos nesse pensamento. Estivemos reunidos e o que ficou assente é que tudo faremos para ter uma equipa bastante competitiva. São poucas as coisas que fizemos e já podemos verificar que estamos no caminho certo. Tenho a certeza de que estamos a fazer o que é certo.

Não sente alguma pressão em ter de vencer o título?
Todos os dias, temos pressão, seja ela qual for. Posso dizer que é um desafio. Peca por se fazer uma mudança radical, porque é o 1º de Agosto que está em melhores condições nesta altura. Não obstante isso, ainda temos muito de lutar, porque o Petro de Luanda tem condições para tal. 

"Milton Barros é atleta
do Petro de Luanda"



O que levou o Petro de Luanda a não renovar o contrato com Carlos Morais?
O Petro de Luanda e o Carlos Morais não chegaram a acordo. O atleta foi para um lado e o clube para outro. Não vejo qualquer motivo para tanta agitação e fazerem pensar que o Petro de Luanda nunca quis ficar com o atleta. O problema é que o jogador apresentou uma proposta e o clube, outra. A partir do momento que não há entendimento entre as duas partes o atleta é livre de procurar um outro clube. Não é por sair um atleta que o clube vai morrer. O clube continua com os jogadores à nossa disposição.

Quais foram as condições exigidas pelo atleta?
Não estou autorizado, nem habilitado para falar sobre isso.

Faltou ao Petro de Luanda algum argumento que convencesse o atleta?
Na verdade, o Petro de Luanda sempre teve a intenção de ter o Carlos Morais dentro das suas fileiras. A verdade é que não se chegou a um acordo. O atleta mostrou-se indisponível em permanecer e não vamos ficar refém do atleta. Devemos ter a coragem de aceitar isso, porque os atletas se produzem. Temos de apostar na formação dos nossos atletas. Imagina se dependêssemos apenas de dois atletas! O basquetebol estaria parado no Petro de Luanda. Desde o momento que um atleta se mostra indisponível em continuar na nossa agremiação, temos de ter a capacidade de o substituir. E pode até não surtir os resultados desejados, mas o clube não pode parar.

INDISCIPLINA DO
MILTON BARROS


O que aconteceu com Milton Barros?
O Milton Barros foi dispensado da equipa de trabalho pelo treinador principal, por questões disciplinares. Essa foi a informação que nos foi dada pelo treinador principal. É imperioso dizer que o Milton foi dispensado da equipa, mas continua a fazer parte do Petro de Luanda, uma vez ter contrato válido até o mês de Dezembro. Que fica bem assente: Milton Barros ainda é atleta do Petro de Luanda; apenas está dispensado da equipa de trabalho.

Algum clube manifestou o interesse em contratar o jogador?
Não. Nenhum clube se mostrou disponível em conversar com o Petro de Luanda em relação ao Milton. Caso apareça a jogar em qualquer clube estará a actuar de forma ilegal.

Que tipo de indisciplina cometeu Milton Barros?
Apenas sabemos o que informou o treinador: por motivos de indisciplina não contava com o atleta.

Está magoado com um dos atletas mencionados?
Claro. Eram atletas com que contávamos para a presente época. Com as suas saídas atrapalharam o nosso projecto. Criámos uma equipa que seria a consolidação do nosso projecto. Contudo, o clube não depende desses atletas. Vamos continuar a trabalhar para concretizar o nosso projecto que visa na contrução de uma equipa bastante competitiva.

Há informações que dão conta de Milton Barros estar de malas aviadas para o Recreativo do libolo…
Não sabemos nada. Qualquer iniciativa de algum clube em tê-lo, naturalmente, vai ter de negociar com o Petro de Luanda, porque ainda é jogador da  nossa agremiação.

Como está a situação de Eduardo Mingas?
Não temos qualquer situação com o Mingas. O Eduardo tem contrato com o Petro de Luanda e vai cumpri-lo na íntegra.


"A qualidade das equipas não se faz com nomes"

Algumas correntes apontam o Petro de Luanda como a terceira força do basquetebol angolano, atrás do Recreativo de Libolo. Que comentário se lhe oferece fazer?
Não concordo. As qualidades das equipas não se fazem com nomes. O Petro de Luanda é uma equipa do topo e não por ter aquele ou esse jogador, mas sim pelos resultados que tem feito. As equipas não se fazem com nomes, mas sim com resultados.

Com as saídas de jogadores preponderantes como Carlos Morais e Milton Barros, de alguma maneira, ficam fragilizados na presente época?
Não. Os dois são bons jogadores, mas o Petro de Luanda não depende somente desses dois atletas. Eles são bons, mas não estão aqui. E é com os que estão aqui que vamos trabalhar.

Quanto à conquista do título, fica mais difícil sem esses jogadores?
De maneira nenhuma. Temos bons jogadores capazes de levar o nosso projecto avante.

Há alguma intenção de ir ao mercado estrangeiro para colmatar a saída de alguns jogadores preponderantes?
Isso depende da equipa técnica. Se acharem que há necessidade de se contratar mais jogadores, vamos estudar a situação.
O Petro de Luanda é um clube que faz surgir atletas de destaque nos escalões de formação, que depois optam por outras agremiações.
Para quando a política de integração dos principais valores no vosso clube?
É uma das nossas políticas depender somente dos nossos formandos. Muitos atletas são formados no Petro de Luanda, mas vão para outros clubes. Queremos mudar isso. Num futuro próximo, vamos inverter essa situação. Aliás, basta ver na nossa equipa de seniores, já temos alguns atletas que saíram da equipa de júnior. É desta maneira que queremos trabalhar, pois com a actual crise, o lema “gastar menos” é o mais ideal.

Está arrependido de ter aceitado o convite para “conduzir” a direcção de basquetebol do Petro de Luanda?
Sendo homem de basquetebol e pertencente ao clube, não. Por outro lado, sinto que há muita coisa a dar ao basquetebol do Petro de Luanda. Vejo ainda que o basquetebol angolano precisa de jovens para dar outra dinâmica à modalidade. É necessário apostar em pessoas que conhecem as vicissitudes do basquetebol. É um bom desafio, gosto de novas aventuras e estou disposto a levá-lo até ao fim.

Que avaliação faz do actual momento do basquetebol angolano com a entrada de treinadores portugueses?
É preciso ter a coragem e olhar para aquilo que foi feito. Os treinadores portugueses deram qualidade ao nosso basquetebol. Basta olhar atrás: tivemos o professor Mário Palma que conquistou vários títulos. Luís Magalhães venceu o último Afrobasket com a selecção de Angola. Muitos dos nossos melhores jogadores actuavam no campeonato português.

Qual é a estratégia para ter novamente o Petro de Luanda na ribalta?
O mesmo que tenho dito até agora. A nossa estratégia é entrar nessa época para competir e depois definirmos se vamos lutar pelo título. Repito: estamos em mudança, temos jogadores e treinador novos e vamos continuar a trabalhar para atingir os nossos objectivos.
publicado por CASSUPITA às 11:40
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Queremos ganhar tudo o que estiver pela frente

 

 Treinador principal basquetebol  do Interclube

 

O que diz sobre as condições oferecidas pelo Interclube?
Penso que são as melhores. Em termos de infra-estrutura há um pavilhão extraordinário, com um piso em que os jogadores podem treinar à vontade. Mas podemos as melhorar. Vamos todos trabalhar para que este clube seja  campeão em termos de jogo, de organização e de infra-estruturas.

Que objectivos tem para a pressente temporada?
O meu objectivo é tornar o basquetebol do Interclube mais sustentável, contribuir para que haja mais jogadores a praticar a modalidade em Angola e para a formação de treinadores. Em termos profissionais, queremos ganhar tudo o que estiver pela frente.

Que mudanças efectuar para que o objectivo seja cumprido? 
Nunca se consegue chegar e fazer logo mudanças. A única coisa que fizemos, foi apresentar quatro projectos que são o centro de formação de treinadores, cuja a primeira acção vai se realizar este mês e estará aberto à todos os treinadores de basquetebol do país. Outro é a reestruturação do modelo de funcionamento do departamento a três sub-coordenações; uma outra tem a ver com a iniciação e a captação de atletas para o mini-basquetebol e a quarta tem a ver com os iniciados.
Agora, estamos a trabalhar no diagnóstico das carências e dificuldades para depois propormos à direcção para que as mesmas sejam atenuadas. 

Como descreve o início da época para a equipa que dirige?
O inicio foi incrível. É incrível como uma instituição como esta, chegou ao estado a que chegou! A gestão dos clubes deve ser acompanhada, responsabilizada e inspeccionada. Para o bem dos jovens e do basquetebol, por muita gente que contribuiu para este clube, que deram parte da sua vida, e pelos valores que me transmitiram, iniciamos a época.
Como é evidente, cheios de dificuldades em construir o plantel, em pôr a formação a funcionar (graças aos treinadores) que por muitas críticas que lhes façam da forma mais injusta, só posso estar grato e solidário.

Que perspectivas tem em termos desportivos?
A  nossa perspectiva era bem escura, mas com uma vontade do tamanho do mundo e com o grupo possível que se predispôs a avançar por amor ao clube e à modalidade, decidimos avançar em termos desportivos de jogo a jogo, discuti-los, tentando dar o nosso melhor. Tendo consciência das dificuldades reais na formação do plantel, sabemos que este não é um qualquer grupo. São verdadeiros atletas, com potencial e qualidade, capazes dos maiores sacrifícios e exemplos.
Iremos até onde nos for possível, com o apoio de todos, até com aquela maravilhosa claque que nos acompanha. Pode ser que sem grandes investimentos venha a ser possível devolver ao Iinterclube, no mínimo, o lugar que merece.

Que avaliação faz do nível competitivo do campeonato nacional de honras?
Acho que o campeonato é muito competitivo e de muita qualidade, facto que acredito poder ajudar muito na nossa maneira de ver as coisas. Já as infra-estruturas, ajudarão a dotar as nossa equipas de maior qualidade.

De modo geral, qual é a sua opinião sobre o basquetebol nacional? Está em progressão ou em retrocesso?
Está em progressão, pois há jogadores com grande qualidade.
O basquetebol angolano está muito elevado de uma maneira geral, em relação ao português. É muito mais atlético e agressivo, explosivos e, naturalmente, jogam de acordo com estas características. É isso que faz a diferença, pois tornam mais agressivos e explosivos nos desenvolvimento das suas particularidades quer ofensivas quer defensivas. Há aqui boa matéria-prima.

"O meu projecto a medio prazo
visa a conquista do campeonato"


O que o levou a aceitar o convite para treinar o Interclube?
Na realidade, o que me motivou a vir a Angola foi o projecto que me foi apresentado pelo director de basquetebol do Interclube. Tenho um projecto de médio prazo, que visa a conquista do campeonato nacional. Este desafio é aliciante e, por isso, concordei em vir a Angola. Outro motivo foi o intusiasmo com que os dirigentes do Interclube me apresentaram o projectos e mostraram-se confiantes naquilo que eles querem para o clube.

A ideia de trabalhar em Angola passou-lhe algum dia pela cabeça?
Nunca me passou pela cabeça trabalhar em Angola. Gosto de trabalhar em cilclos de quatro anos. No momento em que fui abordado pela direcção do Interclube, tinha terminado um ciclo com um clube e então decidi entrar noutro projecto, no caso o do Interclube.

Conchecia a realidade do basquetebol angolano?
Acompanho o basquetebol no geral. Li algumas vezes sobre o basquetebol angolano. Em Portugal, treinei algumas equipas em que haviam atletas angolanos e foram me dizendo como eram o basquetebol daqui.

As informações que obteve correspondem à realidade?
Encaro de um modo positivo a nivel dos jogos, dos jogadores e, por isso, Angola é deca-campeã africana e estão em quase todas as competições internacionais como Jogos Olímpicos e Mundias.

Como caracteriza o basquetebol angolano?
É  é muito rápido. De maneira geral, a defesa está num nível elevado e o ataque está menos evoluído. O pouco tempo que estou aqui, vi muitos treinos dos escalões de formação e parece-me que este é um problema que vem logo do início. Para superar esta questão, vai ser necessário investir mais nos fundamentos do ataque para equilibrar o jogo. Posso dizer que nesta altura a defesa ganha o ataque.

"Há falta de quadros técnicos em Angola"

Como vê a vinda, cada vez mais acentuada, de jogadores e treinadores estrangeiros ao campeonato angolano?
Hoje, o mundo globalizado e Angolano não podia ficar à leste desta situação. Não basta encarar depreciativamente esta situação. Já fui emigrante e, ao contrário de Portugal, onde há uns anos se podia chegar a ter até 8 jogadores não portugueses em campo, em Angola isso não sucede, podendo-se jogar apenas com dois estrangeiros.
O que há em falta em Angola são quadros técnicos e, para isso, tem de haver formação, coisa que ainda se está a dar os primeiros passos. Falta uma escola nacional de basquetebol, onde possam se explorar todas as potencialidades da massa humana existente em Angola.

Quais são as diferenças entre o campeonato angolano e o campeonato português?
Trata-se de dois campeonatos completamente diferentes, pois também se tratam de culturas diferentes. No basquetebol português, assim como no europeu, os colectivos evidenciam-se, ao contrário do angolano onde a técnica individual vem ao de cima.

Quais são as perspectivas futuras do Interclube?
Acredito que, como as coisas estão a ser feitas, o Interclube, nos próximos anos, vá lutar pelo título ou mesmo ganhar um. A nível individual, todos os treinadores sonham em chegar à seleccionador nacional e eu não sou diferente deles.

Perfil
Nome: João  Carlos Pereira Guedes de Oliveira
Nacionalidade: Portuguesa
Data de nascimento: 20- 09-1967
Estado civil: Casado
Altura:1.80 metro
Peso:82
Desporto favorito: Basquetebol
Prato preferido: Linguas estufadas
Bebida: Água
Cor: Azul
Relegião: Catolica
Clubes onde passou
UAAA, Oliverense
Academica
Maya basket
Vasco da Gama
Desportivo da Polva
Selecção Portuguesa
de Sub-16
Formação académica
Licenciatura  em Educação Física
Mestrado em Ciência do Desporto
Doutoramento em Psicologia das Organizações
publicado por CASSUPITA às 11:38
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Abrua 10 anos de existência

 

  Fernando Cardoso

PRESIDENTE DA ABRUA (ASSOCIAÇÃO DE BASQUETEBOL DE RUA)

 

Que avaliação faz dos dez anos de existências da Abrua?
Durante estes anos, conseguimos concretizar os ideais traçados relativamente ao tratamento e encaminhamento dos jovens na sociedade através da vertente desportiva, tirá-los, em número considerável, de situações menos aconselháveis, como por exemplo, a delinquência. Dá-nos um certo orgulho saber que ajudámos muitos jovens. A avaliação é bastante positiva.

Qual é o número de pessoas envolvidas nos vossos programas?
Mais de dois mil jovens praticaram basquetebol durante os dez anos de existência de torneios promovidos pela Associação de Basquetebol de Rua (Abrua), no âmbito da massificação da modalidade, nos distintos municípios da cidade de Luanda. Podemos citar os campeonatos provinciais e nacionais, os torneios Março Mulher, 14 de Abril, Taça 28 de Agosto, 11 de Novembro, Fim-de-Ano, entre outros certames.

Com o basquetebol conseguiram ajudar a sociedade?
O basquetebol de rua beneficia no comportamento dos jovens, ocupando os seus tempos livres e desviando-nos da prática de actos criminosos ou do consumo de drogas. Realizámos vários campeonatos com o apoio de algumas empresas, por exemplo, o campeonato nacional, em 2002, no qual estiveram presentes 17 das 18 províncias, o que mostra o grau de importância de basquetebol de rua na vida de vários jovens do país. Encaminhámos muitos jovens para as equipas do 1º de Agosto e Petro de Luanda, só para citar essas, nas quais brilham.

A dimensão da Abrua não é a mesma nos dias correntes. O que está na base da pouca visibilidade da vossa associação?
A nossa associação está a meio gás, porque temos grandes dificuldades em realizar jogos por falta de campos. 

O que aconteceu às quadras de jogos?
Alguns campos como o da Tchechénia, do Morro Bento, dos Bombeiros, no Cazenga, deixaram de existir e, como consequência, a propagação do basquetebol de rua também diminuiu. Neste momento, estamos a realizar um torneio, embora não tenha tanta dimensão comparativamente aos torneios anteriores. Continuamos a trabalhar para ocupar os tempos livres dos jovens. A prática do basquetebol de rua ajuda-os a despertar o interesse pelo desporto e a prepará-los para uma possível integração em grandes clubes do país.

O Governo da Província de Luanda está a construir quadras novas. Por que não as aproveitam para a realização das vossas actividades?
Há um grande interesse das autoridades da província de Luanda em proporcionar aos seus habitantes lugares de lazer. No entanto, vários campos de basquetebol estão a ser construídos e, nós, ABRUA, vamos aproveitá-los para revitalizar as nossas actividades. Neste momento, estamos a fazer um ensaio, com o apoio da Red Cola, para realizarmos um torneio enquadrado no programa de divulgação da nossa instituição.

Houve algum contacto com o Governo da província para a utilização, a tempo inteiro, das quadras?
Num encontro com as associações, a governadora Francisco do Espírito Santos havia disponibilizado as quadras. Ou seja, estão a cargo das Administrações Municipais, mas sob responsabilidade desportiva da Abrua. Estamos cientes das nossas responsabilidades e vamos fazer o que nos compete.

 Quando prevêem realizar os campeonatos de basquetebol de rua no presente ano?
As quadras já são um grande passo, mas faltam-nos algumas coisas, principalmente, na vertente dos apoios, como equipamento. O atleta da Abrua não ganha muita coisa. O principal ganho é a convivência e os equipamentos. Sou a favor da atribuição de estímulos materiais, no mínimo, como troféus. Para que se realize um bom campeonato, precisamos de bolas, entre outras coisas inerentes à prática de basquetebol.

 Têm patrocinadores?
Nesse momento, temos a Red Cola. Queremos apoios de outras instituições e pessoas singulares para resgatarmos a nossa imagem do passado recente e incutirmos nas novas gerações de jovens o hábito da prática de desporto.

Quantos jovens saídos do vosso projecto estão agora no basquetebol federado?
Temos muitos jovens saídos do basquetebol de rua que hoje militam no campeonato nacional. É difícil apresentar um número exacto, mas o expoente máximo do basquetebol de rua é o Olímpio Cipriano. Ele jogou no Núcleo dos Coqueiros. Temos ainda o Swing e o Edmundo Ventura. Ao longo dos dez anos de existência da Abrua, formámos muitos jogadores. A nossa missão é fomentar o basquetebol e dar oportunidade aos jovens. Felizmente, muitos conseguiram singrar no basquetebol, outros em diferentes ramos da sociedade.

Associação tem 70
núcleos em Luanda

Como está o projecto de construção da Escola de Basquetebol para Crianças Pobres?
FC – O projecto está vocacionado, principalmente, para as crianças que vivem em orfanatos. O nosso objectivo é incentivar os petizes que se encontram nas ruas de Luanda a regressarem aos lares e ensiná-los o ABC da modalidade, bem como formação profissional para que tenham uma ocupação.

Para quando a sua efectivação?
O protocolo com a FESA já está rubricado. Agora, vamos esperar que a construção da mesma se concretize.

Quais são as razões do atraso da sua construção?
Tivemos um encontro com o director-geral da FESA, no qual acordámos marcar um novo encontro para acertarmos detalhes do convénio rubricado.

O tempo de paralisação da Abrua não terá contribuído negativamente na propagação do basquetebol?
Para quem levou o bichinho da “bola ao cesto” a pessoas que não gostavam de basquetebol, o interregno não foi bom. Somos uma organização da comunidade, logo, devemos continuar a trabalhar para o seu engrandecimento.

Neste momento, quantos núcleos de basquetebol de rua controlam?
A nível de Luanda, temos cerca de 70 núcleos. É um pouco difícil determinar o número nas outras províncias, pois têm grandes dificuldades, à semelhança de Luanda. Tenho a certeza de que, brevemente, a situação vai ser outra.

Que comparação se pode fazer em relação à Abrua de há nove anos atrás?
Há muita diferença. Naquele tempo, a Abrua controlava 100 a 150 núcleos, só em Luanda. Actualmente, estamos a rondar 70 núcleos. Isso pressupõe que perdemos muitos jovens praticantes em Luanda.

Que se lhe oferece dizer sobre o projecto com a FESA?
O projecto com a FESA visa o desenvolvimento de basquetebol de rua em todos os bairros da capital, numa primeira fase, e, posteriormente, estendê-lo às províncias que, por tradição, praticam a modalidade, bem como incentivar aquelas que não o têm. Queremos ajudar com algum material, designadamente, tabelas, bolas, cronómetros e equipamentos para os atletas das províncias do Huambo, Namibe e Huíla. Possivelmente, a província de Cunene também beneficie nos próximos tempos.

E como está o protocolo com o Instituto de Cooperação Francesa?
Muito pouco tenho a dizer sobre isso, pois o representante da mesma já não está no país. Na verdade, no acto da assinatura do protocolo, estiveram presentes várias associações e quem deve dizer alguma coisa é o Ministério da Juventude e Desportos.

E quanto à parceria com o INAC?
Tivemos um encontro com a senhora Eufrazina Maiato, em que se abordou a elaboração de um projecto vocacionado às crianças pobres que vivem em orfanatos, cujo objecto social é incentivar as crianças para a prática do basquetebol, bem como encaminhar os petizes que se encontram nas ruas de Luanda a irem para os lares. Passámos por esses lares e distribuímos equipamentos desportivos para a prática do basquetebol. Vamos voltar a esses orfanatos e saber como estão os petizes.

O ano corrente é o de relançamento da Abrua?
Sim. Estamos a preparar um grande torneio de fim-de-ano para dar as boas-vindas ao CAN’2010. Esperamos que, com a realização desse torneio, possamos também marcar o nosso regresso à realização de grandes actividades. Acredito que os bons dias para o basquetebol de rua voltarão.

Como está o relacionamento com a Federação Angolana de Basquetebol (FAB)?
O fomento de basquetebol na rua é especificidade da Abrua, enquanto a FAB massifica e organiza, entre outras coisas. A FAB deve apoiar a Abrua, criando uma rubrica de apoio ao basquetebol de rua.

Por que razão não há uma estreita relação entre as duas instituições?
Existe um vice-presidente para a área comunitária na FAB, mas, infelizmente, nunca fomos notificados. Felizmente, temos bom relacionamento com a Associação Provincial de Basquetebol de Luanda, que sempre mostrou interesse em trabalhar connosco.

 

publicado por CASSUPITA às 11:35
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